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Economia Os truques do Banco Master para a elaboração de seu balanço contábil

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Fraude do Master expõe manobras para esconder balanço ilíquido. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Os problemas começaram a aparecer muito antes de dezembro de 2024, data em que o Banco Central entendeu que a rápida piora dos números do Banco Master demandaria fiscalização diária intensa.

Documentos divulgados na semana passada detalham pela primeira vez como problemas de liquidez acabaram levando à quebra do banco, que agora está no centro da maior fraude bancária da história do país.

O banco controlado por Daniel Vorcaro utilizava uma série de manobras para enganar investidores e reguladores e esconder problemas graves em seu balanço, de acordo com um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), que também analisou se o BC agiu da forma apropriada na fiscalização da instituição.

Para um banco pequeno, a conta é alta: o sistema bancário brasileiro terá de arcar com R$ 52 bilhões para reembolsar investidores que compraram papéis do Master. E os impactos continuam aparecendo. Pessoas familiarizadas com o assunto disseram na semana passada que a Mastercard arcou com uma conta bilionária por ter sido a bandeira dos cartões emitidos pela fintech controlada pelo Master, o Will Bank.

Um dos primeiros sinais de estresse apareceram um ano antes do colapso do Master. Em 2024, o banco captou apenas R$ 2 bilhões, muito abaixo da expectativa de obter R$ 15 bilhões ao longo do ano. Os ativos da instituição — em grande parte crédito para empresas com problemas financeiros ou precatórios — geravam pouco caixa, menos que o necessário para pagar os investidores, de acordo com os documentos do TCU.

Para esconder os problemas, o Master utilizou fundos de investimento e vendas para se livrar de ativos problemáticos e melhorar seus números, disse o TCU. Embora esses e outros tipos de manobra tenham levado o BC a demandar ajustes desde 2021, os problemas nos números do banco cresceram.

Uma mudança fatal veio em outubro de 2023, com uma alteração na maneira como os bancos deveriam classificar os precatórios que carregavam em seus balanços. A alteração tornou esses ativos mais pesados de carregar, em um momento em que o Master tinha mais de R$ 6 bilhões em precatórios. Os ativos do banco já estavam nove vezes maiores do que em 2019, ano em que Vorcaro assumiu o controle.

Apesar da crise de liquidez, o Master continuou a se expandir, comprando o Will Bank na primeira metade de 2024. Mas novos problemas vieram da operação. O BC detectou que a fintech não estava aplicando recursos da maneira adequada e que teria de fazer um ajuste de R$ 1,8 bilhão, de acordo com os documentos. O regulador determinou que o Will deveria destinar todos os recursos que obtivesse para cumprir com obrigações previamente assumidas.

Ainda assim, as determinações do BC não conseguiam manter o Master saudável, e o banco concordou com o regulador em resolver seus problemas em cerca de seis meses. Antes do fim do prazo, o Master anunciou a venda de parte de sua operação ao Banco de Brasília, ou BRB, em um negócio de R$ 2 bilhões que manteria Vorcaro próximo à tomada de decisões da nova empresa.

Enquanto o BC analisava o negócio, uma linha de crédito foi desembolsada pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que efetivamente passou a pagar investidores que detinham papéis do Master vencendo no curto prazo. A ideia era a de dar ao banco uma via de saída do mercado com a menor perda possível para o sistema, mostram os documentos. Vorcaro capitalizou o Master através de vendas de ativos, incluindo alguns que pertenciam a ele na pessoa física.

Mas os planos vieram abaixo em setembro, quando o BC rejeitou o negócio BRB-Master em meio a preocupações sobre o suposto elo entre o Master e gestoras de recursos que foram mencionadas em investigações sobre o crime organizado.

Vorcaro passou a buscar novos recursos e um novo comprador enquanto a liquidez de seu banco chegava próximo a zero. Ele ofereceu um novo plano de 180 dias que levaria o Master a ser liquidado de forma organizada até dezembro de 2026, após vender a maior parte de seus ativos.

Ao mesmo tempo, os cálculos do BC apontavam que o Master precisaria de um ajuste de R$ 20 bilhões em seu balanço, quatro vezes maior que o patrimônio líquido de R$ 5,2 bilhões. O Master estava se tornando insolvente de forma rápida.

Vorcaro tentou uma última cartada ao anunciar a venda do Master a um grupo de investidores liderado pela Fictor, um grupo empresarial pouco conhecido. Mas o BC sequer começou a analisar o acordo para decidir sobre ele: a oferta chegou ao regulador às 22:55 de 17 de novembro, de acordo com os documentos, sete horas depois de o BC ter votado para liquidar o banco.

Naquele dia, Vorcaro seria preso em um aeroporto em São Paulo enquanto tentava tomar um avião para Dubai, onde ele disse que encontraria investidores dispostos a comprar o banco. A defesa do ex-CEO do Master não comentou. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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