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Mundo Ouvir palavras obscenas ou ser estuprada é uma coisa comum para as mulheres no Egito

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Recente revolução busca estratégias para combater o assédio. (Crédito: Reprodução)

Conforme uma pesquisa da ONU (Organização das Nações Unidas), 99,3% das mulheres egípcias afirmaram já ter passado por situações como ter de trabalhar horas adicionais sem motivo, ser perseguida na rua, ouvir palavras obscenas ou ser estuprada.

Contudo, há hoje organizações que tratam do assédio sexual no Egito – um problema que, estatisticamente, afeta quase a totalidade das mulheres – com soluções variadas, como um mapa de ocorrências, trabalho de conscientização social e um serviço de táxi exclusivo. Voluntários uniformizados monitoram aglomerações.

Uma recente revolução no país, à parte daquela que derrubou o regime em 2011, busca a formulação de estratégias para discutir e combater o assédio, crime desde 2014.

Organizações relatam um incremento no número de caso nos últimos anos, o que tem acelerado a criação de iniciativas como o Harassmap (“mapa do assédio”). O projeto mapeia os casos de assédio por região no Cairo, sendo possível fazer denúncias anônimas. Nos últimos cinco anos, 1,5 mil casos foram registrados por essa via.

Desrespeito.

Apesar de algumas medidas, o Egito ainda é um lugar onde mulheres sofrem com o assédio sexual. No final de 2013, a Fundação Thomson Reuters, que faz pesquisas anuais sobre a situação das mulheres no mundo, divulgou uma que avaliava o respeito aos direitos das mulheres em países árabes.

Quesitos como leis antiestupro e escolaridade feminina foram analisados em 22 países. Três nações onde a população saíra às ruas em protestos por mais liberdade, na Primavera Árabe, estavam entre as que mais desrespeitam as mulheres.

O Iêmen aparecia em 18 lugar. A Síria, em 19. O último posto foi do Egito. Mais de dois anos antes, em 11 de fevereiro de 2011, no dia da renúncia de Hosni Mubarak, causou repercussão mundial o estupro de Lara Logan, correspondente da rede de TV americana CBS, que cobria a revolta no Egito.

A jornalista, com 39 anos à época, foi agredida e estuprada na praça Tahrir, no Centro do Cairo, quando a multidão celebrava a queda do ditador, no poder havia 30 anos.

Em julho de 2013, a ONG Human Rights Watch mostrou que ao menos 91 mulheres foram estupradas em quatro dias durante protestos contra o governo muçulmano que substituiu Mubarak. Um general da polícia chegou a dizer à época que, “às vezes, uma moça contribui 100% para seu próprio estupro”. (Folhapress)

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