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Brasil “Paciente com AVC não tem porta fechada em hospital”, afirma coordenadora da ONG Rede Brasil AVC; conheça campanha de esclarecimento sobre a doença

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A pressão alta afeta um em cada quatro brasileiros. (Foto: Reprodução)

O AVC (Acidente Vascular Cerebral) ocupa o segundo lugar no ranking de enfermidades que mais causam óbitos no Brasil, são cerca de 100 mil pacientes a cada ano, segundo a ONG Rede Brasil AVC. Conhecido popularmente como derrame, ele fica atrás apenas das doenças cardiovasculares – com mais de 300 mil casos. No ano passado, quase 177 mil pessoas foram internadas para tratamento de AVC no SUS (Sistema Único de Saúde). Além disso, a doença também é a primeira causa de incapacidade funcional no País e no mundo, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Setenta por cento das pessoas sem tratamento não voltam para o trabalho e 50% ficam dependentes para cuidados do dia a dia.

As sequelas envolvem dificuldades de locomoção, fala, perda de funções neurológicas, entre outras. É um mal que abala todo o núcleo familiar do doente em razão da dependência – que pode ser permanente, em casos mais graves, ou por um período, caso haja recuperação.

“Um dos maiores empecilhos para o tratamento correto é a falta de reconhecimento dos sintomas, mesmo em locais estruturados, esse é um grande problema”, avalia a neurologista Sheila Martins, coordenadora da ONG Rede Brasil AVC e da Rede Nacional de Atendimento ao AVC, do Ministério da Saúde. “As pessoas não sabem o que é o AVC, não reconhecem os sinais de alerta, ou acham que não tem tratamento, ou que vai passar espontaneamente já que não dói na maioria das vezes: ‘ah, vou descansar e vai passar, vou dormir e amanhã de manhã eu vejo como é que está'”, alerta a especialista.

Exatamente para ajudar a população a identificar o AVC e com isso tentar reduzir os danos relacionados, a ONG Rede Brasil AVC está realizando uma campanha nacional sobre o tema. Um dos fatores preponderantes para o resultado do tratamento é o tempo. Quem tem AVC deve receber tratamento o mais rápido possível. Cada segundo é importante, por isso a médica destaca os principais sintomas:

Fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo;

Confusão, alteração da fala ou compreensão, boca torta;

Alteração na visão (em um ou ambos os olhos)

Alteração do equilíbrio, coordenação , tontura ou alteração no andar;

Dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.

Se você ou alguém que você conhece estiver com um destes sintomas, a orientação é ligar imediatamente para o número 192 SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), ou para o serviço de ambulância de emergência da sua cidade. Outro dado importante é anotar a hora em que os primeiros sintomas apareceram. Se houver rapidez no atendimento do AVC, até 4,5 horas do início dos sintomas um medicamento que dissolve o coágulo pode ser dado aos pacientes com AVC isquêmico, o tipo mais comum de AVC, diminuindo a chance de sequelas.

“As  equipes do SAMU, em grande parte do Brasil, estão treinadas para reconhecer e encaminhar os pacientes para os centros de AVC (hospitais que oferecem tratamento trombolítico, possuem médicos neurologistas e tomógrafos 24 horas por dia, sete dias por semana) para o atendimento adequado, porque não são todos hospitais que atendem AVC. Essa organização o SAMU sabe, para onde levar e o mais rápido possível. Daí esses pacientes são priorizados, passam na frente dos outros porque o tempo está correndo e quanto mais rápido esse paciente for tratado, maior a chance de ficar sem sequela nenhuma”, alerta a especialista.

Em caso de emergências lotadas

Em Porto Alegre e Região Metropolitana, 16 os hospitais do SUS são centros de AVC. Em Porto Alegre são quatro: Hospital de Clínicas de Porto Alegre, São Lucas da Pucrs, Conceição e Santa Casa.

Quando o SAMU atende paciente do SUS dentro de  Porto Alegre, a orientação, de acordo com a médica, é que o atendente entre em contato com o hospital de vínculo da pessoa, caso esteja lotado, procura-se o mais próximo, caso este também não possa recebê-lo, passa-se ao “hospital da vez”, este não poderá recusar o paciente, é uma pactuação entre Secretaria de Saúde e hospitais, tanto direção, quanto emergências.

“O AVC não tem porta fechada, ele sempre vai ser recebido em um dos centros de AVC quando estiver dentro do tempo de tratamento. Na Região Metropolitana, a mesma coisa”, esclarece Sheila.

No caso de emergências particulares, com paciente do SUS, devem entrar em contato com o SAMU, que indicará o “hospital da vez”. Os pacientes com planos de saúde devem procurar o hospital do seu plano.

Protocolo de atendimento rápido

Equipes dos centros de AVC fazem treinamentos para atender rapidamente esses pacientes. Da chegada do paciente até o primeiro atendimento médico de enfermagem pode passar apenas 10 minutos, para chegada na tomografia em 25 minutos. 

Existem dois tipos de AVC, o hemorrágico, em que ocorre rompimento de artérias e sangramento no cérebro e o isquêmico, tipo mais frequente que representa 80% dos casos e é caracterizado pelo entupimento das artérias por um coágulo. A identificação na maioria das vezes é possível por meio do exame de tomografia ou pela ressonância magnética, dependendo do caso.

Histórico 

“O AVC foi a primeira causa de mortes no Brasil por mais de 20 anos até 2011, a partir daí ele passou a ser a segunda causa de mortes porque o Brasil vem se organizando para atender melhor os pacientes. Ainda é uma mortalidade muito alta, mas não é mais a primeira – o infarto hoje é a primeira causa”, aponta Sheila. Ela acrescenta que é importante evitar a doença, e por isso, por muitos anos, as autoridades focaram só na prevenção, porém, notaram que isso não impediu que uma grande porcentagem de pessoas, não consideradas de risco para o AVC, apresentassem a doença. Por isso o País começou a se organizar também para oferecer melhores tratamentos.

Em fevereiro de 2008, a Coordenação Geral de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde percebendo essa necessidade, possibilitou a estrutura de um projeto nacional de atendimento ao AVC. O projeto foi construído reunindo as melhores experiências do País no atendimento ao AVC em cada área e alicerçado pela Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares/Academia Brasileira de Neurologia e por especialistas em neurologia vascular. Estes neurologistas, que vinham individualmente trabalhando para melhorar a assistência do AVC em seus hospitais e suas cidades, uniram-se, a partir da iniciativa do Ministério da Saúde, para formar a Rede Brasil AVC.

“Em 2008, era 35 o número de hospitais preparados para tratar o AVC. Em 2017, são 149. É melhor do que nós tínhamos no passado”, avalia.  “Então é isso que a gente está tentando fazer  no Brasil, auxiliar os gestores de saúde a fazer um atendimento melhor, mesmo que existam todos esses hospitais, nem todos são iguais, tem uns que tem estrutura melhor, outros menor. A gente sabe que o País tem grandes dificuldades, mais isso pelo menos possibilitou aumentar a chance de os pacientes receberem tratamento”, explica.

Campanha

A Rede Brasil AVC e a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, com o apoio da Boehringer Ingelheim, estão lançando a campanha “A Vida Conta – Cada minuto faz diferença”, que visa conscientizar a população sobre a importância do rápido atendimento ao paciente que está sofrendo um AVC, elucidando a sua relação direta com o risco de sequelas graves e incapacitantes.

A campanha está sendo apresentada ao público por meio de diversas ações. A principal delas é o engajamento de influenciadores digitais – tal como Caio Novaes, do Ana Maria Brogui -, com a inserção de um vídeo-interrupção em seus canais no Youtube, trazendo informações impactantes sobre a doença para o público.

Para acompanhar mais informações da campanha acesse a Fanpage da Rede Brasil AVC

Aplicativo 

A ONG Rede Brasil AVC lançou um aplicativo para que as pessoas baixem em seus celulares, relacionando todos os centros de AVC cadastrados no País, detalhando se o atendimento é pelo SUS ou particular, o endereço, telefone, e o número do SAMU para fazer a ligação.

Dia Mundial do AVC

No dia 29 de outubro, comemora-se o dia mundial de alerta ao AVC. “A gente faz uma grande campanha em todo Brasil. Aqui em Porto Alegre estaremos no Parque da Redenção verificando a pressão, peso e altura, e o risco de as  pessoas terem AVC ou não”. A especialista convida todos a participarem das atividades oferecidas.

Como reduzir seu risco de AVC?

Você sabia que 90% dos AVCs estão ligados a fatores de risco evitáveis?

Controle a pressão alta;
Faça exercícios físicos moderados 5 vezes na semana;
Tenha uma dieta saudável e balanceada (mais frutas e verduras, menos sódio);
Reduza seu colesterol;
Mantenha seu peso adequado (evite a obesidade);
Pare de fumar e evite exposição passiva ao cigarro;
Reduza a ingesta de álcool (homens: 2 doses/dia, mulheres 1 dose/dia);
Identifique e trate fibrilação atrial (arritmia cardíaca);
Reduza seu risco de diabetes, converse com seu médico;
Aprenda sobre o AVC;
Busque saber seu risco de AVC e compartilhe seus motivos para prevenir o AVC na campanha da Rede Brasil AVC.

(Fabiane Christaldo/ O Sul)

 

 

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