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Economia Pacotes econômicos do governo dos Estados Unidos para aquecer a economia do país equivalem a quatro vezes o PIB de todo o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, completou 112 dias na Casa Branca. (Foto: Adam Schultz/The White House)

Neste domingo (9), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, completou 112 dias na Casa Branca. Neste período, lançou três pacotes econômicos – de socorro, infraestrutura e empregos – que, juntos, sinalizam gastos extras de US$ 6 trilhões (R$ 32,16 trilhões ou o equivalente a 4,3 vezes o PIB brasileiro do ano passado).

O valor é cinco vezes superior ao pacote de socorro que Barack Obama editou após a crise de 2008. Para muitos, é um sinal de que a maior economia do mundo não leva em conta a austeridade fiscal, o que traz riscos de inflação.

Os pacotes de Biden são amplos. O primeiro, de US$ 1,9 trilhão e já aprovado pelos legisladores, era focado na pandemia e permitiu uma segunda leva de cheques de auxílio emergencial. O segundo, de US$ 2,3 trilhões, é voltado a infraestrutura, tecnologia e transição verde.

O terceiro, de US$ 1,8 trilhão, visa melhorar a rede de proteção social, considerada a mais precária entre as nações ricas, com ampliação da cobertura de saúde, financiamento à educação e licenças a trabalhadores. Ou seja, caso sejam aprovadas pelo Congresso, as medidas vão além do simples socorro à economia e tentam criar um novo papel para o Estado.

“Estamos vivendo uma mudança de paradigma, comparável ao que foi o governo de Franklin Roosevelt, que, em resposta à Grande Depressão, criou o New Deal, com forte influência keynesiana, e ao que ocorreu nos anos 1980, com Ronald Reagan, nos EUA, e Margaret Thatcher na Inglarrera, quando a ideologia neoliberal com forte desregulamentação econômica predominou”, explica Carlos Braga, professor da Fundação Dom Cabral e ex-vice-presidente do Conselho de Administração do Banco Mundial.

Para ele, os pacotes de Biden, mais que simples resposta à pandemia, são uma tentativa de criar uma estratégia contra o avanço chinês, que, segundo o próprio governo americano, está na dianteira em algumas fronteiras do conhecimento, como na energia limpa.

Braga ressalta que os planos podem ser “desidratados” em um Congresso com maioria frágil de democratas, em que senadores e deputados de regiões “tradicionalmente republicanas” podem torcer o nariz para os projetos.

“Estes pacotes representam uma mudança na maneira como Washington e o G-20 veem os gastos fiscais. Se pensarmos como foi a resposta fiscal à crise de 2008/2009, os pacotes são muito maiores. Esta é a mudança mais significativa em política econômica nos EUA desde os anos 1980, pois traduz uma nova visão do papel do governo na sociedade”, afirma Josh Lipsky, diretor do GeoEconomics Center do Atlantic Council.

Lipsky lembra que o próprio FMI determinou aumento dos gastos:Algo como gaste o quanto quiser, mas guarde os recibos.”

Para ele, contudo, isso não vai significar, necessariamente, impacto negativo nas contas públicas: é uma proposta consistente de aumento de tributos, que sequer pode ser considerada radical.

Ao propor elevar os impostos corporativos e para quem ganha mais de US$ 400 mil anuais (R$ 2,144 milhões), os tributos retornarão ao nível que estavam no governo de George W. Bush, um republicano, e ainda serão 40% menores que as taxas recordes dos EUA.

Mesmo assim, está claro que a alta de impostos não vai absorver todos os gastos, que terão impactos na dívida do país. Mas há demanda por títulos americanos, sem alta de juros, o que significa que as entidades de mercado não veem o aumento das despesas como risco fiscal nos EUA. As informações são do jornal O Globo.

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