Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de fevereiro de 2021
O presidente Jair Bolsonaro disse na segunda-feira (15), que o Facebook está censurando seus posts e impedindo que seus seguidores publiquem fotos de notas fiscais de postos de combustíveis. Chegou a ameaçar conversar com o Congresso para aumentar impostos das redes sociais e disse que pediria providências para a Advocacia-Geral da União (AGU).
Mas o problema do post do presidente é bem mais prosaico. Sua página oficial no Facebook foi configurada, por ele mesmo ou por pessoa que o ajuda a administrar a página, para não receber fotos de seus seguidores nos comentários, segundo uma fonte relatou ao Radar Econômico, da Revista Veja.
Quando alguém quer comentar qualquer post do presidente tem a opção de enviar figurinha, avatar e emoji, mas não foto. Muitas páginas no Facebook usam este dispositivo para evitar que seguidores publiquem pornografia, por exemplo.
No post em que ele pede para que os seguidores abasteçam seus caminhões e postem fotos de notas fiscais, são poucos os que dizem que não conseguiram postar. A maioria apenas fez comentários sobre o assunto, sem se preocupar com as fotos. Mas em pelo menos dois comentários, seguidores usaram o recurso de postar fotos no Google Drive e publicar link da foto.
A discussão toda é por conta do aumento dos preços de combustíveis e a ameaça dos caminhoneiros de entrar em greve. Bolsonaro quer transferir o problema para os governadores alegando que o preço é alto por conta do ICMS. Na nota fiscal, publicada por Bolsonaro, o total do imposto estadual aparece como zero, o que ele diz ser uma desinformação e que estão jogando a população contra o governo federal como se fosse o único a arrecadar.
“Fechar imprensa”
O presidente Jair Bolsonaro atacou a imprensa na tarde de segunda. Curtindo o feriado de carnaval em uma praia em São Francisco do Sul, Santa Catarina, o mandatário falou em live transmitida pelo filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) que “o certo para acabar com as fake news é fechar a imprensa”. Ele também voltou a falar sobre o preço dos combustíveis.
“Os combustíveis continuam aí demonstrando uma nuvem muito carregada no horizonte, vamos resolver esse problema. Obrigado quem mandou nota fiscal para mim por outros meios, já que o Facebook bloqueou. Vamos ver, já liguei para a AGU para ver o que a gente pode fazer, né”, apontou.
Bolsonaro disse ainda que estuda criar um imposto para donos de redes sociais. “O governo federal também, junto com o Parlamento, criar uma legislação, taxar mais ainda esse pessoal que paga muito pouco de imposto para operar dentro do Brasil; tomar medidas para realmente garantir a liberdade de expressão. Na minha página, na página de qualquer um. Com todo respeito […] eu sou qualquer um do povo: proibir anexar imagens a título de proteger fake news. O certo é tirar de circulação. Não vou fazer isso, porque eu sou democrata. Tirar de circulação Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Antagonista. São fábricas de fake news”, disparou.
Ele também reclamou da política do Facebook, que reduz a exibição de posts relacionados a política no feed de notícias dos usuários. No último dia 12, por meio das redes sociais, o mandatário pediu que apoiadores abastecessem seus carros e caminhões, verificassem os impostos na nota fiscal e enviassem a ele o documento. Na mesma publicação, o mandatário alfinetou governadores e criticou a bitributação dos combustíveis: “(Os governadores) Jogam a população contra o governo federal como se fosse o único a arrecadar”, disse.
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