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Mundo Pai de vítima do Estado Islâmico processa Facebook, Twitter e Google, alegando que as redes sociais ajudam a fazer propaganda para os terroristas

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Facção radical usa não só Facebook, Twitter e ferramentas do Google, mas todo um arsenal de ferramentas digitais para espalhar propaganda, levantar dinheiro e atrair recrutas. (Crédito: Reprodução)

O pai de uma das vítimas dos ataques terroristas que deixaram 129 pessoas mortas em Paris, na França, no ano passado, entrou com um processo na Justiça contra Google, Facebook e Twitter. Ele alega que as empresas permitem que o grupo extremista EI (Estado Islâmico), autor dos atentados, use suas ferramentas para fazer propaganda, arrecadar fundos e recrutar novos colaboradores.

A ação judicial foi aberta em um tribunal da Califórnia, nos Estados Unidos, por Reynaldo Gonzalez, pai de Nohemi Gonzalez, que foi a primeira americana a ter a morte confirmada.

A estudante da Califórnia State University de 23 anos estava em um restaurante que foi alvejado a tiros pelos terroristas na série de ataques em novembro passado. Ela fazia um curso de intercâmbio de design industrial em Paris – e estava na Europa pela primeira vez.

“Por anos, os réus estiveram conscientemente permitindo que o grupo terrorista Estado Islâmico usasse suas redes sociais como ferramentas para espalhar propaganda extremista, levantar fundos e atrair novos recrutas”, diz o texto da ação.

“Sem Twitter, Facebook e Google [YouTube], o crescimento explosivo do EI, nos últimos anos, que permitiu ao grupo se transformar no grupo terrorista mais temido no mundo, não teria sido possível”, continua.

Lei que isenta as empresas de internet da responsabilidade.

Nos Estados Unidos, há uma lei que isenta as empresas de internet da responsabilidade sobre o conteúdo publicado em suas plataformas pelos usuários. No Brasil, o Marco Civil da Internet também traz esse dispositivo.

Só que a ação judicial de Gonzalez não trata do mérito das mensagens publicadas pela facção terrorista e, sim, do fato de as empresas terem “permitido” o avanço da organização. Ele acusa as empresas de violarem duplamente a Lei Internacional de Terrorismo.

Ari Kresch, advogado de Gonzalez, disse que “essa acusação não se trata do que as mensagens do EI diziam”. “É sobre Google, Twitter e Facebook permitirem que o EI usasse suas redes sociais para recrutamento e operações.”

A facção radical usa não só esses sites, mas todo um arsenal de ferramentas digitais para espalhar propaganda, levantar dinheiro e atrair recrutas.

O processo é similar ao que o Twitter enfrenta desde janeiro, movido pela viúva de uma vítima de um ataque do EI, na Jordânia. Moradora da Flórida (EUA), Tamara Fields era esposa de Lloyd Fields Jr., ex-militar americano que treinava forças policiais de países do Oriente Médio. As similaridades não param por aí. Até trechos dos processos e imagens incluídas nele são idênticas.

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