Segunda-feira, 08 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 8 de junho de 2026
O Papa Leão XIV condenou o aborto em um discurso feito a parlamentares da Espanha nessa segunda-feira (8). Ao falar no Congresso, em Madri, o pontífice pediu a defesa da vida humana “desde sua concepção”, em meio a tentativas do governo do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, para incluir o direito na Constituição.
Depois, ao falar aos bispos católicos da Espanha, Leão declarou que os abusos sexuais cometidos por integrantes do clero representam uma praga para a Igreja Católica e cobrou uma resposta com “escuta, verdade, justiça e reparação” às vítimas.
A declaração ocorreu em um contexto de críticas de ativistas que acusam a Igreja de ainda não enfrentar o problema da forma adequada. “Uma das experiências mais dolorosas é encontrar aqueles que foram feridos precisamente por quem deveria cuidar deles, incluindo membros do clero”, afirmou o papa.
O pontífice pediu que toda pessoa prejudicada encontre na Igreja “escuta sincera, acolhimento, proteção e caminhos reais para a cura”. O papa também defendeu maior compromisso com medidas de prevenção e com a criação de uma cultura de proteção para crianças e pessoas vulneráveis.
Trata-se da referência mais direta feita pelo sumo pontífice ao escândalo dos abusos clericais na Espanha, país onde as denúncias de violência sexual praticada por religiosos prejudicaram a credibilidade da Igreja nas últimas décadas, de acordo com analistas. “Diante dessa praga, a comunidade eclesiástica é chamada a responder com escuta, verdade, justiça e reparação”, disse o papa.
A dimensão do problema na Espanha foi evidenciada por um relatório divulgado em 2023 pelo Defensor do Povo, órgão de direitos humanos do país. O documento estimou que mais de 200 mil menores podem ter sofrido abusos sexuais cometidos por integrantes do clero católico desde 1940.
Em resposta à pressão, o governo espanhol e a Igreja firmaram, em março deste ano, um acordo para indenizar vítimas de crimes sexuais, após anos de resistência e acusações de falta de transparência por parte da hierarquia eclesiástica.
Crise espiritual
Ovacionado por cerca de seis minutos no Parlamento espanhol, o Papa Leão XIV protagonizou um dos momentos mais marcantes de seu pontificado. Diante de deputados e senadores reunidos em Madri, o primeiro Papa a discursar na história do Congresso da Espanha alertou que o mundo atravessa uma “profunda crise espiritual e cultural” e fez um apelo para que a política volte a colocar a dignidade humana acima das divisões ideológicas. Aplaudido de pé ao final de sua intervenção, o pontífice transformou sua visita ao país em um poderoso chamado à reconciliação, ao diálogo e à solidariedade.
“O mundo atravessa uma profunda crise espiritual e cultural, que se manifesta em múltiplas formas de violência, polarização e desconfiança mútua. As armas podem impor um silêncio temporário, mas nunca poderão construir uma paz autêntica e duradoura”, disse o papa em seu discurso, proferido horas depois de Israel e Irã renovarem os ataques mútuos.
A viagem apostólica é considerada uma das mais importantes de seu jovem pontificado. Desde sua chegada a Madri, Leão XIV foi recebido com honras de chefe de Estado pelo rei Felipe VI e pela rainha Letizia, além de encontrar-se com o primeiro-ministro Pedro Sánchez. Em todos os compromissos, o Papa insistiu na necessidade de construir pontes em uma Europa marcada por tensões políticas, desafios econômicos e conflitos internacionais. (As informações são do g1 e Folha de S. Paulo)
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