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Brasil Para 78% das pessoas, a Operação Lava-Jato contribui efetivamente para combater a corrupção no Brasil

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A Lava-Jato é um marco divisório da Justiça deste País. Mas é apenas o nome fantasia de uma operação policial importante e bem sucedida. (Foto: Divulgação/PF)

Para 78% dos brasileiros, a Operação Lava-Jato contribui efetivamente para combater a corrupção no Brasil. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, esse índice atinge 83%.

É o que revela uma pesquisa realizada a partir das respostas dos leitores do portal de notícias G1 à Sintonia Eleitoral. A ferramenta, uma parceria entre a empresa canadense Vox Pop Labs e o G1, permite identificar qual presidenciável é mais alinhado às ideias do eleitor.

Ao responder à Sintonia Eleitoral, o leitor dizia o quanto concordava com 30 afirmações e, a partir dessas respostas, a ferramenta indicava em que ponto do espectro ideológico o leitor estava e como ele se situava em relação aos candidatos. Mais de 1 milhão de pessoas responderam ao questionário.

Ao longo desta semana, o G1 publicará os detalhamentos de todas as 30 perguntas.

Operação

Com início em um posto de gasolina – de onde surgiu seu nome –, a Operação Lava-Jato, deflagrada em março de 2014, investiga um grande esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras do país e políticos.

Uma das primeiras prisões foi a do doleiro Alberto Youssef, 47. Criado em Londrina, foi vendedor de pastel e contrabandista de eletrônicos do Paraguai antes de virar doleiro. Foi preso nove vezes. Uma delas, pela participação no chamado caso Banestado, maior escândalo já investigado no Brasil sobre remessas ilegais de dinheiro.

Três dias depois, houve a prisão de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras. Costa era investigado pelo Ministério Público Federal por supostas irregularidades na compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006. Ele passou a ser investigado pela PF após ganhar, em março de 2013, um carro de luxo de Youssef.

Após as prisões, uma série de vínculos entre o doleiro, o ex-diretor da Petrobras, empreiteiras e políticos é revelada. O primeiro a ser atingido é o deputado federal André Vargas (ex-PT-SP) que, como a Folha revelou, pegou carona de jatinho com Youssef.

Tanto Costa quanto Youssef assinaram com o Ministério Público Federal acordos de delação premiada para explicar detalhes do esquema e receber, em contrapartida, alívio das penas. Um ano após o início da Lava Jato, já são 17 os delatores do esquema.

Em seu depoimento, o ex-diretor da Petrobras afirmou que havia um esquema de pagamento de propina em obras da estatal por parte de empreiteiras, e que o dinheiro abastecia o caixa de partidos como PT, PMDB e PP.

Em novembro de 2014, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Lava-Jato, que envolveu buscas em grandes empreiteiras como a Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht e outras sete companhias.

O juiz federal do Paraná Sérgio Moro, que aceitou se tornar ministro do governo de Jair Bolsonaro era o responsável pelas ações penais nos casos que não envolvem políticos – que possuem foro privilegiado e, por isso, são investigados pelo Supremo Tribunal Federal. O magistrado é referência no julgamento de crimes financeiros.

Nesse contexto de pressões da operação e de dificuldades para estimar os prejuízos da corrupção à Petrobras, a presidente da empresa, Graça Foster, e outros cinco diretores são demitidos. Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, assume a presidência da estatal.

Em janeiro de 2015, a Justiça Federal do Paraná começa a ouvir os primeiros depoimentos de testemunhas de acusação: Paulo Roberto Costa, os executivos ligados à Toyo Setal, Venina Velosa Fonseca, funcionária da Petrobras que afirmou às autoridades ter avisado a então presidente da estatal Graça Foster sobre as irregularidades na petrolífera, entre outros.

No dia 3 de março de 2015, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entregou ao STF uma lista com 28 pedidos de inquéritos de políticos envolvidos com o esquema de corrupção na Petrobras.

Relator dos processos relativos à Operação Lava-Jato no STF, o ministro Teori Zavascki, morto em 2017, autorizou a abertura de todas as investigações. São 50 políticos de seis partidos: PT, PSDB, PMDB, PP, SD e PTB. Ele também acatou sete pedidos de arquivamento, incluindo um inquérito sobre o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que concorreu à Presidência em 2014.

Janot também afirmou, em seu relatório ao STF, que não havia elementos na apuração para abrir uma investigação contra a presidente Dilma Rousseff (PT), mas determinou a abertura de um inquérito sobre a arrecadação de recursos para sua campanha em 2010.

A lista de investigados inclui 50 nomes, entre eles os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Posteriormente, o senador Fernando Bezerra (PSB-PE) foi incluído.

 

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