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Eleições 2026 Para além dos Bolsonaros, eleição de 2026 mostra força de clãs familiares

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Em São Paulo, parentes conquistam cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. (Foto: Carol Jacob/Alesp)

O resultado do primeiro turno das eleições deste ano mostrou que, além do clã Bolsonaro, outras famílias ampliaram sua influência política em diferentes estados.

Em Alagoas, JHC (PSDB) foi eleito governador, enquanto sua esposa, Marina JHC (PSDB), conquistou uma vaga no Senado. A mãe dele, Maria Eudócia (PSDB), é a primeira suplente da senadora. Arthur Lira (PP) também se elegeu senador e garantiu a eleição do filho, Alvinho Lira (PP), de 20 anos, para deputado federal. Já Renan Calheiros não conseguiu a reeleição ao Senado, e Renan Filho perdeu a disputa pelo governo estadual.

No Amapá, Dr. Furlan (Podemos) foi eleito governador, e sua esposa, Rayssa Furlan (Podemos), senadora, tendo o cunhado, Neto Furlan, como primeiro suplente. No Amazonas, Eduardo Braga (MDB) se reelegeu senador, com a esposa, Sandra, como suplente.

No Pará, Helder Barbalho (MDB) conquistou uma vaga no Senado, tendo o pai, Jader Barbalho (MDB), como suplente. O irmão, Jader Filho (MDB), foi eleito deputado federal.

Em São Paulo, os clãs petistas Tatto e Zarattini também ampliaram sua presença no Legislativo. Os irmãos Jilmar e Nilto Tatto foram reeleitos deputados federais, enquanto Ênio Tatto conquistou mais um mandato na Assembleia Legislativa estadual (Alesp).

A família Tatto mantém influência histórica na Capela do Socorro, zona sul da capital paulista, desde a gestão de Luiza Erundina (1989-1992). A região, apelidada de “Tattolândia”, concentra parte de sua atuação política. Jilmar ganhou projeção nacional, ocupou secretarias municipais e atualmente é vice-presidente nacional do PT. Nilto construiu trajetória ligada a organizações socioambientais, enquanto Ênio caminha para o sétimo mandato consecutivo na Alesp.

Entre os Zarattini, Carlos foi reeleito deputado federal pela sexta vez consecutiva, e sua sobrinha Luna, vereadora da capital, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados. A família tem trajetória política que remonta a Ricardo Zarattini, militante contra a ditadura e ex-deputado federal.

Outros exemplos de candidaturas familiares incluem o deputado federal Coronel Telhada (PP) e o estadual Capitão Telhada (PP), ambos reeleitos. Em Santo André, o ex-prefeito Paulo Serra (PSDB) foi eleito deputado federal, enquanto sua esposa, Ana Carolina Serra (PSDB), conquistou uma vaga na Alesp.

Para a cientista política Tathiana Chicarino, da FESPSP, a transferência de votos e a convivência em ambientes políticos ajudam a explicar a força dessas famílias. Segundo ela, parentes de políticos costumam ter mais acesso a contatos partidários e recursos, o que facilita suas candidaturas.

A pesquisadora ressalta, porém, que a transferência de votos entre maridos e esposas ou entre pais e filhos pode beneficiar mulheres sem necessariamente refletir uma trajetória política própria.

Nem todas as famílias tiveram sucesso. Carla Morando (PSD) se reelegeu deputada estadual, mas seu marido, Orlando Morando (MDB), não conquistou vaga na Câmara. Kiko Celeguim (PT) foi reeleito deputado federal, enquanto seu pai, Mario Maurici, perdeu a disputa pela Alesp. Já Luiz Fernando (PT) se reelegeu deputado estadual, mas seu irmão, Paulo Teixeira, não recuperou o mandato federal.

Outros resultados incluem a eleição de Milton Leite Filho (União Brasil) para deputado federal, enquanto seu irmão, Alexandre Leite, não se elegeu deputado estadual. Bruno Zambelli (PL) foi reeleito deputado estadual, mas sua mãe, Rita, não conquistou vaga na Câmara.

Natália Boulos (PSOL), esposa de Guilherme Boulos, foi eleita deputada federal. Gracinha Caiado (União Brasil), esposa de Ronaldo Caiado, conquistou uma vaga no Senado por Goiás. Regina Nunes (MDB), esposa do prefeito paulistano Ricardo Nunes, também foi eleita deputada estadual.

Para Tathiana, a família Bolsonaro constitui um caso excepcional pela capacidade de transferir votos. Isso ficou evidente na eleição de Renato Bolsonaro (PL), que, sem a concorrência do sobrinho Eduardo Bolsonaro, alcançou 379.312 votos e ficou entre os mais votados de São Paulo. Michelle Bolsonaro (PL) foi eleita senadora pelo Distrito Federal, Carlos Bolsonaro (PL) conquistou uma vaga no Senado por Santa Catarina, e Jair Renan (PL) foi eleito deputado federal pelo Estado. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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