A autorização para estacionamento de veículos nos trechos de “Área Azul” em Porto Alegre, das 7h às 19h, continua limitada a regiões próximas a hospitais e serviços públicos de saúde, conforme as determinações para restringir a movimentação de pessoas como prevenção ao coronavírus. As regras de pagamento do tíquete e ocupação da vaga por no máximo por duas horas seguem valendo.
A medida faz parte do decreto municipal 20.259/2020, no âmbito das medidas restritivas da prefeitura para tentar conter a expansão da pandemia de coronavírus. O descumprimento da determinação gera multa de R$ 195, cinco pontos na carteira de motorista e remoção do carro.
De acordo com a SMS (Secretaria Municipal de Saúde), o isolamento social e a redução do fluxo de pessoas nas ruas são a única maneira encontrada em todo o mundo para reduzir a circulação do vírus.
As áreas de estacionamento rotativo são localizadas em pontos de grande movimento e em regiões com grande concentração de comércio. Como apenas os serviços essenciais estão liberados para funcionamento, a medida foi tomada como mais uma ação para reduzir o número de pessoas nas ruas.
“Muita gente questiona os agentes de trânsito, pois a restrição seria válida inicialmente por pelo menos 15 dias. Mas, infelizmente, a demanda por leitos nos hospitais continua alta”, explica o diretor de Operações da EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação), Paulo Ramires. A lista de locais permitidos pode ser conferida em www.portoalegre.rs.gov.br.
Empresários
Em recente encontro on-line com representantes da classe empresarial, o prefeito Nelson Marchezan Júnior admitiu que poderá adotar medidas ainda mais drásticas para desestimular a circulação de pessoas na cidade. Ele não descarta, por exemplo, a imposição de bloqueios ao trânsito em avenidas de maior movimento.
Por outro lado, o rodízio de veículos com base no número final da placa (em moldes similares ao de São Paulo) é considerado extraoficialmente como uma estratégia que dificilmente será adotada. Dentre os motivos para o Executivo abandonar a ideia estaria as altas chances de repúdio por parte de diversos segmentos e a dificuldade em garantir o seu cumprimento pelas autoridades, saturadas por outras demandas ligadas à pandemia.
Já no que se refere aos pedidos de afrouxamento das restrições às atividades não essenciais, o chefe do Executivo reiterou que ainda não tem como recuar nos decretos vigentes com tal finalidade, devido ao risco de agravamento da situação sanitária da Capital.
Em conversas com representantes do Sindilojas (Sindicato dos Lojistas) e CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Porto Alegre, Marchezan também voltou a ressaltar que a hipótese de um inédito “lockdown” na cidade só poderia ser colocada em prática com os apoios da categoria e da própria população. Profissionais da área da saúde, porém, consideram a medida como necessária no atual contexto sanitário municipal.
(Marcello Campos)
