Terça-feira, 05 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de maio de 2017
Quais as chances do juiz federal Sérgio Moro decretar a prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira, quando os dois se encontrarem cara-a-cara pela primeira vez, em depoimento do ex-presidente à Justiça Federal em Curitiba (PR)? Na teoria, a hipótese é plausível, mas na prática, segundo especialistas, trata-se de algo improvável.
Dentre os apoiadores do líder petista, paira certa desconfiança de que o homem forte da Operação Lava-Jato prepara uma armadilha para encarcerar o investigado. Já os grupos contrários a Lula torcem para que a viagem do ex-presidente até a capital paranaense seja “só de ida” – em um dos tantos sites de apoio à força-tarefa, a frase de efeito é: “Lula, a República de Curitiba o aguarda ansiosa!”
A eventual detenção de Lula – em um outro dia – não é descartada pelo professor de processo penal da USP Gustavo Badaró. “Pelos padrões de Sérgio Moro, por menos motivos ele já prendeu outras pessoas, como é o caso de Léo Pinheiro, sócio da OAS”, menciona.
Um juiz também pode decretar detenção provisória se ver risco de fuga ou ameaça à ordem pública. “Não acredito que essas condições existam em relação a Lula”, diz o professor da FGV-Rio Ivar Hartmann. Para ele, este último critério “é vago e permite abusos nas prisões”.
“Seria como afirmar que o crime pelo qual o réu é acusado é muito grave e, se ficar solto, isso irá comover negativamente a comunidade.”
Já aconteceu de um juiz mandar prender alguém que voluntariamente apareceu para depor (nunca na Lava-Jato). “Mas isso seria uma estranha e infeliz coincidência” se ocorresse agora, avalia Fernando Castelo Branco, um dos coordenadores do Instituto de Direito Público de São Paulo.
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