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Brasil Para o Palácio do Planalto, a declaração do diretor-geral da Polícia Federal foi “uma trapalhada” que reacendeu o inquérito contra Michel Temer sobre propina no porto de Santos

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O diretor da PF se recusou a responder todas as perguntas. (Foto: EBC)

Apesar de aliados do governo federal minimizarem as declarações do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Fernando Segovia, no Palácio do Planalto a entrevista concedida por ele à agência Reuters na semana passada foi considerada “uma trapalhada” que teve forte efeito negativo, reacendendo o inquérito que trata de suposta propina em troca de decreto que beneficiaria o setor de portos.

De acordo com fontes do primeiro escalão ligadas ao presidente Michel Temer, em vez de o assunto cair no esquecimento, voltou a ganhar os holofotes justamente no período de carnaval. O chefe do Executivo é investigado no inquérito que apura suposto recebimento de propina para favorecer a empresa Rodrimar, que opera áreas do porto de Santos (SP).

O dinheiro teria chegado ao Planalto por intermédio de Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor especial de Temer e conhecido como o “deputado da mala”.

A entrevista

Na entrevista polêmica, o diretor-geral da PF declarou que as investigações da corporação não comprovaram que houve pagamento de suborno por parte de representantes da Rodrimar para a edição do decreto que prorrogava contratos de concessão e arrendamento portuários, assinado por Temer em maio do ano passado, época em completava um ano na Presidência, desde que assumira interinamente o cargo em meio ao processo de impeachment de sua titular Dilma Rousseff.

Em um primeiro momento, a entrevista chegou a ser comemorada pelo núcleo mais próximo de  Temer, pelo fato de Segovia sinalizar uma especie de arquivamento da investigação. Mas, diante da ampla repercussão negativa do conteúdo, bem como da reação negativa dentro da própria corporação, “caiu a ficha” no Palácio do Planalto.

O temor é que o assunto volte a ganhar prioridade não só de investigadores, mas da própria procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que assumiu o cargo em setembro do ano passado, em substituição a Rodrigo Janot, que concluiu o seu mandato.

A expectativa inicial entre os membros do governo era de que Raquel fosse pedir o arquivamento dessa investigação. Mas, agora, o futuro desse caso é considerado incerto no governo. A própria manifestação do ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), foi recebida com preocupação. Barroso intimou Fernando Segovia a explicar declarações dadas em entrevista sobre investigação sobre o presidente Michel Temer.

Após a intimação, na noite de sábado Segovia telefonou para o ministro do STF, a fim de explicar as suas declarações sobre não haver indício de crime praticado por Temer no caso do decreto dos portos, alvo de investigação na Corte.

Os dois marcaram um encontro no dia 19, na sede do Supremo. Na reunião, Segovia deve explicar ao magistrado a sua fala à Reuters. Assessores de Segovia já preparam a transcrição da gravação, para que o conteúdo seja entregue ao ministro.

 

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