Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 31 de julho de 2017
A Petrobras iniciou a fase de oferta de venda de sete conjuntos de campos em águas rasas, totalizando 30 concessões no aguardo de interessados. A divulgação faz parte do plano de desinvestimentos da estatal, que busca levantar para a empresa o montante de US$ 21 bilhões.
Os conjuntos de campos anunciados agora para venda são localizados no Ceará (Polo Ceará Mar), Rio Grande do Norte, Sergipe, Rio de Janeiro e São Paulo. Das 30 concessões, a Petrobras tem 100% da participação em 28. Em duas, a estatal detém 65% em parceria com a Outro Preto Óleo e Gás.
Segundo a Petrobras, a parcela da empresa na produção média de petróleo e gás natural desses campos, no primeiro semestre de 2017, foi de 73 mil barris de óleo equivalente por dia.
Como a própria Petrobras destaca na exposição que marcou os 60 anos da companhia, investir na exploração do campo foi, na época, uma decisão estratégica, pois o país importava petróleo a baixo custo (US$ 3 por barril). No mesmo ano, porém, foi criada a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), e o cenário para o produto começou a mudar, com alta de preços.
Na lista, consta ainda o Campo de Enchova, o primeiro a iniciar a produção de petróleo na Bacia de Campos, com exploração comercial a partir de 1977, com uma produção de dez mil barris por dia numa plataforma flutuante. A exploração de petróleo na região completa 40 anos em 2017.
A exploração de petróleo no Campo de Enchova também é marcada por um dos maiores acidentes numa plataforma da Petrobras. Em agosto de 1984, um incêndio destruiu a plataforma e uma das embarcações de emergência despencou ao ter o cabo rompido. O acidente, que matou 37 pessoas, foi causado por um vazamento de gás num poço que estava sendo perfurado.
Em comunicado ao mercado, a Petrobras explicou que enviou informações (teasers) a potenciais interessados nos sete conjuntos de campos de águas rasas, que envolvem um total de 30 concessões para cessão de exploração e desenvolvimento da produção. O objetivo é contribuir para que a companhia atinja a meta de levantar US$ 21 bilhões com a venda de ativos no biênio 2017-2018.
“Bom para Petrobras e Macaé”
Na avaliação de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, a estratégia da Petrobras é correta pois os campos estão em declínio natural. De acordo com o especialista, para recuperar sua produção é necessário o uso de tecnologia específica e de custo elevado, o que não compensaria para uma petroleira de grande porte. O especialista cita empresas como Schlumberger e Halliburton como potenciais interessadas nesse tipo de ativo.
“Faz muito sentido vender esses campos que estão produzindo mais água do que petróleo e estão com a curva de produção em declínio. Eles precisam de uma operadora que entenda desse negócio e coloque dinheiro lá porque para uma companhia de grande porte, como a Petrobras, é desperdício. Ela tem de focar no desenvolvimento de campos grandes no pré-sal. Será bom para a Petrobras vender esses campos e para Macaé, que terá novos investimentos de outras empresas”, disse Pires. (AG)
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