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Geral Paraguai atrai estudantes e empreendedores brasileiros após virar casa de produtores rurais

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Vista aérea de Assunção, capital do Paraguai. (Foto: Reprodução)

Se um dia os brasileiros cruzaram a fronteira com o Paraguai para derrubar toras e semear campos de soja, hoje eles procuram o país em busca de outros sonhos. Tornar-se médico ou empreendedor é o que faz uma leva de imigrantes deixar o Brasil para viver no vizinho sul-americano. A Direção Nacional de Migração do Paraguai calcula que nos últimos 10 anos foram emitidas 200 mil carteiras para regularizar estrangeiros no país. Desse total, 110.737 saíram em nome de brasileiros, das quais 61.295 temporárias e 58.442 definitivas.

Um dos fluxos de entrada mais intensos na última década é de estudantes. O Paraguai tem hoje 25 mil a 30 mil estudantes de Medicina, 90% a 95% deles de origem brasileira, conforme a Direção de Migração. Sem precisar se submeter a vestibulares concorridos e pagar mensalidades exorbitantes cobradas no Brasil que podem variar de R$ 10 mil a R$ 15 mil ou mais, os brasileiros saem das mais longínquas regiões, incluindo Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e a maior parte se estabelece em Ciudad del Este, fronteira com Foz do Iguaçu (PR) ou Pedro Juan Caballero, limites com Ponta Porã (MS).

Lá eles pagam cerca de R$ 1.200 a R$ 1.500 ao mês nos primeiros anos de faculdade. Estima-se que o país tenha entre 40 e 44 faculdades de Medicina em funcionamento.

Almir Pinheiro, 33 anos, foi para o Paraguai no início deste ano. Ele deixou Trindade (GO) para morar em Ciudad del Este. Graduado em Educação Física e Fisioterapia no Brasil, o rapaz diz ter cruzado a fronteira em busca de um sonho. No início, teve medo por não conhecer o país e não saber o espanhol, falado não somente nas ruas, mas na sala de aula.

“Hoje posso dizer que fiz a melhor escolha da vida, muitos vão criticar, outros apoiar, mas só você vai saber o quanto é satisfatório e compensa.”

Almir mora em um quarto de hotel. Com as economias que fez no Brasil quando trabalhava, ele conseguiu guardar dinheiro para ficar exclusivamente estudando, sem depender da família ou precisar trabalhar. Ele diz que já se ambientou no Paraguai, fez amigos de 18 a 60 anos, e saiu da zona de conforto da vida que levava no Brasil.

“É dia e noite estudando direto. Eu canso 10 vezes mais. Também aprendo outra cultura e língua”, conta.

Por outro lado, o Paraguai transformou-se em um porto fértil para se fazer negócios. Em 2023, o crescimento do país foi de 4,7%, o maior índice do Cone Sul. O que move os imigrantes empreendedores é o custo operacional mais em conta que no Brasil, considerando impostos e a energia elétrica, pelo menos 60% mais barata em relação a Paraná e São Paulo.

Filho de imigrantes brasileiros, Maurício Rúbio, 46 anos, nasceu em Foz do Iguaçu e cresceu no Paraguai. Começou a vida no país vendendo insumos, foi gerente de empresas de máquinas agrícolas e recentemente decidiu investir em um setor do país em franco crescimento: incorporadora de condomínios de alto padrão.

É dele e da corretora Andreia Calegari, 42 anos, o projeto do condomínio Paraíso das Águas, situado às margens do Lago Iguaçu, em Mariscal Lopéz, a 60 quilômetros de Foz do Iguaçu. Com 235 terrenos, o empreendimento é inspirado em condomínios americanos, com bar e piscinas de frente para o lago, prestes a serem inaugurados. Terrenos já foram comercializados para japoneses, canadenses e americanos.

“O Paraguai é um país que abre portas”, conta Maurício.

Outros setores com maciça presença de brasileiros são o industrial e o comercial. Na região da fronteira, proliferam indústrias têxteis, de calçados, radiadores, insumos hospitalares, autopeças, além de restaurantes, cafés, panificadoras, barbearias.

A imigração brasileira no Paraguai teve início no final da década de 1950 e se intensificou entre 1960 e 1970.

Para se estabelecer legalmente no Paraguai, os brasileiros precisam inicialmente tirar uma carteira de migrante provisória e depois uma permanente. Cada uma custa cerca de R$ 1.800. Para facilitar o processo, Muñoz diz que a Direção de Migração faz mutirões regulares no país. As informações são do jornal O Globo.

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