Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Por Gisele Flores | 9 de outubro de 2026
Programa Construir Juntos mobiliza 201 organizações sociais, forma 217 lideranças, envolve 785 estudantes e investe R$ 1 milhão em ações de resiliência climática no Rio Grande do Sul.
Foto: Fotos: Vinícius Luz
As enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024 deixaram um rastro de destruição e provocaram uma reflexão sobre a capacidade de preparação das comunidades para eventos climáticos extremos. Dois anos depois, uma iniciativa criada naquele cenário apresenta resultados que vão além da reconstrução material.
Liderado pela Parceiros Voluntários, o Programa Construir Juntos encerrou sua edição com impactos em 11 municípios gaúchos. A iniciativa mobilizou organizações sociais, lideranças, escolas e comunidades em uma estratégia voltada à prevenção, à gestão de riscos e ao fortalecimento comunitário.
Os resultados foram apresentados no Salão de Atos da PUCRS, em Porto Alegre, durante um encontro que reuniu representantes das instituições participantes. O balanço demonstra a dimensão alcançada pelo programa, consolidado como uma importante experiência de preparação social para emergências climáticas realizada no Estado após a tragédia de 2024.
Ao longo da edição, o Construir Juntos mobilizou 201 organizações da sociedade civil. Destas, 50 receberam apoio de R$ 20 mil por meio do Fundo Semente para Resiliência. No total, R$ 1 milhão foi destinado ao fortalecimento institucional e à elaboração de planos de contingência.
O objetivo foi preparar as entidades para manter serviços essenciais mesmo em situações de crise, garantindo respostas mais rápidas e organizadas diante de enchentes, deslizamentos e outros desastres naturais.
Além do aporte financeiro, a iniciativa promoveu 200 horas de atividades formativas, envolvendo 323 participantes e formando 217 lideranças comunitárias. O trabalho também resultou na implantação de 50 ações preventivas destinadas à proteção dos territórios e ao fortalecimento da capacidade local de resposta.
“O encerramento desta edição representa a consolidação de um trabalho coletivo construído a partir da escuta, da colaboração e das necessidades reais das comunidades. Mais do que apoiar a reconstrução, o Construir Juntos contribuiu para que organizações, escolas e lideranças estejam mais preparadas para agir diante de novos eventos climáticos e preservar o atendimento às pessoas que mais precisam”, afirma a superintendente da Parceiros Voluntários, Graziela Loureiro.
Outro eixo estratégico foi a atuação nas escolas. A proposta reconhece que a construção de uma cultura de prevenção começa na educação e precisa envolver estudantes, professores e famílias.
A ação alcançou 36 turmas, envolvendo diretamente 785 estudantes e 105 professores. O impacto indireto chegou a 108.869 pessoas. As instituições receberam apoio de R$ 3 mil cada, somando R$ 108 mil em investimentos.
As atividades incluíram 20 horas de oficinas para os alunos e 12 horas de formação para educadores em cada escola. Os conteúdos abordaram mudanças climáticas, identificação de riscos nos territórios, protocolos de emergência, prevenção e responsabilidade coletiva.
A iniciativa buscou transformar as experiências traumáticas das enchentes em aprendizado permanente. Em vez de atuar apenas quando os desastres acontecem, o programa investiu em redes locais capazes de prevenir, planejar e responder de forma coordenada às adversidades.
“A resiliência climática precisa ser construída de forma contínua e compartilhada. Quando fortalecemos as organizações sociais, qualificamos lideranças e envolvemos professores e estudantes, ampliamos a capacidade dos territórios de prevenir riscos, proteger vidas e responder de maneira articulada às situações de emergência”, acrescenta Graziela.
As ações chegaram a Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Cachoeirinha, Sapucaia do Sul, Caxias do Sul, Estrela, Lajeado, Nova Prata, Pelotas e Santa Rosa, municípios que sofreram diferentes impactos durante a maior catástrofe climática da história do Estado.
O encerramento evidenciou o protagonismo da Parceiros Voluntários na articulação entre sociedade civil, escolas, lideranças comunitárias e instituições parceiras. Como legado, o programa deixa uma rede mais preparada, organizada e consciente de seu papel diante dos desafios climáticos.
Ao transformar solidariedade em planejamento, capacitação e prevenção, a iniciativa demonstra que reconstruir não significa apenas recuperar estruturas perdidas, mas criar condições para que comunidades inteiras estejam mais fortes, seguras e resilientes diante dos desafios futuros. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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