Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de novembro de 2018
Partido que quase acabou durante a gestão petista, o DEM deseja ser um fiador do governo Jair Bolsonaro Se o PSL levou ao Congresso uma bancada significativa, mas inexperiente, o DEM tem políticos que embarcaram cedo no projeto e agora tentam obter os lucros da aposta política. O principal deles é o gaúcho Onyx Lorenzoni, futuro ministro da Casa Civil, que estava no ostracismo no partido. Depois da eleição, correligionários de peso se aproximaram do capitão da reserva. As informações são do jornal O Globo.
Integrantes do DEM acreditam que o partido terá a responsabilidade de moderar o discurso do presidente eleito. Alguns fizeram chegar ao grupo mais próximo de Bolsonaro críticas à manutenção de ataques à imprensa e a líderes partidários após a vitória. Um deles comparou as primeiras declarações a falas do ex-presidente Fernando Collor, num alerta da necessidade de “descer do palanque”.
Presidente do DEM, o prefeito de Salvador, ACM Neto, afirma que o partido não fará negociação de cargos e que o apoio ao governo se dará por afinidade em pautas, principalmente na área econômica.
“Já dissemos para a equipe do governo que a disposição é dialogar em cima da agenda que em muitos pontos, principalmente na economia, é convergente. Não vamos entrar na prática de indicar cargos, fazer pressão”, diz ACM Neto.
Alguns integrantes do partido que foram derrotados nas urnas, como Alberto Fraga, Pauderney Avelino e Mendonça Filho, se aproximaram de Bolsonaro e sua equipe em busca de ocupar funções no novo governo. A avaliação é que, diante da falta de quadros no PSL, a sigla poderá emplacar indicações importantes. Além de Onyx, um nome que passou a ser ventilado como possível ministra foi o de Tereza Cristina (DEM-MS), coordenadora da bancada ruralista na Câmara.
O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também busca pontes para tentar o apoio do Planalto à sua reeleição. Ele sinalizou a intenção de votar pautas de interesse dos bolsonaristas ainda este ano, como o Estatuto do Desarmamento. ACM Neto diz, porém, que é cedo para falar de apoio do governo a Maia, porque o presidente eleito ainda não deu o tom da relação com o Congresso.
O avanço do DEM causa ciúmes. O partido elegeu 29 deputados, sendo apenas a nona maior bancada da Câmara. Como o PSL de Bolsonaro não deve disputar a presidência da Casa, há a expectativa nos outros partidos do centrão de contar com apoio do Planalto. O presidente eleito não descartou Maia, mas já citou os nomes de João Campos (PRB-GO), Fernando Giacobo (PR-PR) e Alceu Moreira (MDB-RS) como aliados que podem disputar o comando da Casa.
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