Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de março de 2021
Dirigentes e deputados de PDT, PSB e PSOL comemoraram decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de anular condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, assim, torná-lo elegível para as eleições de 2022. No entanto, uma aliança em torno do petista permanece distante para a disputa pelo Palácio do Planalto no ano que vem.
Enquanto o PDT afirma que manterá o plano original de lançar candidatura própria, o PSB reforça a necessidade de cautela, com análise de pesquisas eleitorais. No PSOL, políticos lembram que Lula ainda passará por novo julgamento e que não há como prever o resultado.
Presidente nacional do PDT, Carlos Lupi afirma que a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes está mantida. “Com essa decisão do STF, passa a ser esperada a candidatura do Lula. Mas nada muda no primeiro turno. Teremos Lula e Ciro. No possível segundo turno contra Bolsonaro, estaremos juntos. Ciro representa o futuro; Lula, o passado. Fez um bom governo – fui ministro dele – mas hoje não se adaptaria à realidade do Brasil. Precisamos de profundidade no projeto nacional de desenvolvimento, e Ciro está muito preparado para isso”, disse Lupi.
“A decisão do STF foi coerente. Está tirando a sujeira que estava embaixo do tapete da Lava-Jato. Juiz combinar sentença com promotor é algo que não deveria acontecer em lugar nenhum do mundo. Em qualquer país do mundo, os dois estariam presos por esses atos”, completou.
Presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira vai na mesma linha e afirma que Fachin não anularia processos contra Lula se não tivesse encontrado “grandes irregularidades insanáveis”. Com relação a 2022, diz que é cedo para definir se o partido caminhará com Lula, com Ciro ou se lançará candidatura própria.
“A opinião do PSB não é o importante agora, e sim o que a população vai achar dessa situação. Isso deve ser apurado com pesquisas e sentindo o ambiente eleitoral. Temos que ter uma candidatura do campo progressista que possa vencer o atual presidente (Jair Bolsonaro) no segundo turno, e não apenas que some mais pontos no primeiro turno. É preciso ter responsabilidade para não adiantar nosso posicionamento de maneira precária”, avaliou Siqueira.
Novo julgamento adiante
O deputado federal Marcelo Freixo (RJ), um dos principais nomes do PSOL, comemorou a decisão a favor de Lula, mas ressaltou que o ex-presidente ainda terá que passar por um novo julgamento. A decisão de Fachin fez com que quatro processos originados pela Operação Lava-Jato de Curitiba voltassem à estaca zero – eles não foram extintos.
“Sem dúvida é uma vitória para Lula e faz com que ele ganhe direito a um julgamento justo. Mas o resultado desse novo julgamento ninguém pode prever qual será. Hoje Lula poderia disputar a eleição, mas, até 2022, conhecendo tudo o que se passa no país, é bom acompanharmos com cautela”, disse Freixo.
“Acho que (o ministro Edson) Fachin se antecipou a algo que já vinha sendo amadurecido no Supremo. Fachin arrancou o mel do (ministro) Gilmar (Mendes). Acho que, com todos os vícios que o julgamento do Lula teve, anular as decisões, sem dúvida, é muito bom para a democracia. O Poder Judiciário é muito importante em qualquer país e não pode ficar a mercê de nenhuma força política”, concluiu. As informações são do jornal O Globo.
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