Sábado, 31 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de outubro de 2026
A partir de 2027, os partidos de direita passarão a controlar mais da metade do orçamento total dos 26 Estados e do Distrito Federal. Republicanos e PL, juntos, mais que dobrarão sua participação nas receitas estaduais, passando dos atuais 29,8% para 61,1% do total. O avanço representa um novo desafio para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente na articulação com os governos estaduais para coordenar políticas públicas e discutir medidas de ajuste fiscal.
O Republicanos continuará com a maior fatia do orçamento, ampliando sua participação de 25,6% para 35,4%. Já o PL saltará de 4,3% para 25,7%. As duas legendas elegeram dez governadores entre as 27 unidades da Federação e conquistaram o comando de alguns dos maiores orçamentos estaduais do país.
O Republicanos garantiu a reeleição de Tarcísio de Freitas em São Paulo e elegeu Cleitinho Azevedo em Minas Gerais, Estados que concentram, respectivamente, 19,3% e 9,5% das receitas estaduais. Também reelegeu Otaviano Pivetta em Mato Grosso e conquistou o governo do Espírito Santo com Lorenzo Pazolini. O PL, por sua vez, elegeu Douglas Ruas no Rio de Janeiro, Luciano Zucco no Rio Grande do Sul e Sergio Moro no Paraná. Também reconduziu Jorginho Mello em Santa Catarina e elegeu Marcos Rogério em Rondônia e Arthur Henrique em Roraima.
O PT permanecerá com a terceira maior participação orçamentária, mantendo aproximadamente 12% das receitas estaduais. A legenda reelegeu Jerônimo Rodrigues, na Bahia, Elmano de Freitas, no Ceará, e Rafael Fonteles, no Piauí, além de eleger Cadu de Lula no Rio Grande do Norte. O PSDB, que atualmente ocupa a segunda posição, com 12,3%, perderá espaço e ficará com apenas 2,8% a partir de 2027.
O levantamento considera as receitas orçamentárias de 2025 e projeta um orçamento agregado de R$ 2,59 trilhões para os Estados e o Distrito Federal em 2027, com valores atualizados pela expectativa de inflação do boletim Focus, do Banco Central.
Para o analista político Rafael Cortez, da Tendências, o fortalecimento da direita, observado também nas eleições parlamentares estaduais e federais, representa um desafio para a articulação do governo federal. Ele ressalta, porém, que o crescimento da direita não significa necessariamente o fortalecimento exclusivo do bolsonarismo. Governadores de centro-direita, especialmente do PSD e do PP, poderão manter canais de diálogo com Lula, buscando preservar espaço político e evitar a concentração da oposição em torno do PL.
Entre os nomes do Republicanos, Cortez destaca Tarcísio de Freitas, cujo projeto político poderá influenciar os rumos da legenda. Uma das principais dúvidas é se o governador paulista manterá alinhamento com a família Bolsonaro ou buscará maior autonomia para construir sua trajetória política, inclusive com possíveis aproximações com outras forças partidárias.
Na avaliação de Manoel Pires, pesquisador do FGV Ibre, a nova composição dos governos estaduais poderá dificultar a coordenação federativa necessária para enfrentar o desequilíbrio das contas públicas. Segundo ele, será difícil concentrar o esforço de ajuste fiscal apenas na União, considerando o crescimento das despesas dos governos regionais. No mandato atual, Estados de oposição também protagonizaram disputas políticas com o governo federal, inclusive em torno da responsabilidade por investimentos públicos.
A situação fiscal dos Estados poderá se tornar mais delicada no próximo ciclo. Durante o mandato que termina em 2026, muitos governos contaram com receitas elevadas e ampliaram investimentos, que alcançaram R$ 42,9 bilhões no primeiro semestre, valor recorde e 13,9% superior ao registrado no mesmo período de 2022. Para Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX, o aumento dos investimentos pode pressionar posteriormente as despesas correntes, exigindo maior controle dos gastos.
O cenário também será influenciado pela expectativa de desaceleração econômica. As projeções do boletim Focus indicam crescimento de 1,8% do PIB em 2026 e de 1,3% em 2027, o que poderá limitar a expansão das receitas públicas. Especialistas defendem reformas administrativas e previdenciárias, além de medidas de contenção de despesas.
Nesse contexto, Manoel Pires avalia que o primeiro ano dos novos mandatos poderá exigir um período de reorganização das contas estaduais, com medidas de controle para garantir sustentabilidade financeira. A situação, entretanto, é desigual entre as unidades da Federação. Programas como o Propag, voltado à renegociação das dívidas estaduais, poderão oferecer algum alívio, embora seus benefícios e efeitos variem conforme a realidade fiscal de cada Estado. (Com informações do Valor Econômico)
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