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Política Passada a eleição, cúpula do PT quer expulsar seu vice-presidente

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Edinho fala em “saída negociada” de Quaquá, mas afirma que, se isso não for possível, haverá um “divórcio litigioso” porque o partido passará por “profundas mudanças” de agora em diante. (Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara)

Passada a eleição, o PT vai para o divã. O racha na corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), tendência do presidente Lula nas fileiras petistas, ganhou novos capítulos durante a campanha e agora explodiu.

A intenção do presidente do PT, Edinho Silva, é tirar do papel pedidos de abertura de processo contra o prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, na Comissão de Ética. O mais antigo deles remonta a 2021.

Quaquá é um dos vice-presidentes do PT e integra a ala do partido conhecida como “CNB do B”. O grupo é integrado, entre outros, por Gleide Andrade (tesoureira), Jilmar Tatto (vice-presidente), Beto Faro e Humberto Costa (senadores) e José Guimarães (ministro da Secretaria de Relações Institucionais).

Edinho fala em “saída negociada” de Quaquá, mas afirma que, se isso não for possível, haverá um “divórcio litigioso” porque o partido passará por “profundas mudanças” de agora em diante.

A “reconstrução” do PT foi acertada por Edinho em conversa de três horas com o próprio Lula, após o segundo turno de uma disputa acirrada para vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL).

“O presidente quer que o PT interprete a mobilização das ruas. É preciso trazer a juventude para dentro dele”, disse Edinho. “O PT não pode apenas reproduzir as relações de poder nem ser um amontoado de projetos pessoais, utilizado para promover enriquecimento e crescimento patrimonial”.

Eleito deputado federal em outubro, Edinho observou que, em muitos lugares, o PT virou “um ajuntamento de mandatos, com mais poder de deliberação do que as próprias instâncias partidárias”.

Pivô da queda de braço na corrente CNB, Quaquá publicou vídeo nas redes sociais, durante a campanha, criticando a estratégia adotada por Edinho. À época, disse que, enquanto Flávio tratava da vida real, como preços em supermercado, a campanha de Lula falava de “terras raras”.

Na lista de pedidos de Comissão de Ética para Quaquá estão a defesa feita por ele dos irmãos Brazão no caso do assassinato da então vereadora Marielle Franco e afirmações de que a Polícia do Rio “só matou otário, vagabundo, bandido” durante a Operação Contenção, nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou mais de 120 mortos, no ano passado.

Há, ainda, a divulgação de uma foto em que Quaquá, então deputado, aparece sorridente, abraçado ao colega Eduardo Pazuello (PL-RJ). A foto foi considerada por petistas como “indignidade inaceitável”, sobretudo pelo fato de Pazuello ter sido ministro da Saúde no governo de Jair Bolsonaro na época da pandemia de covid-19.

“O medo do Edinho é da disputa pelo comando do PT”, afirmou Quaquá à coluna. “Ele quer transformar o PT num partido autoritário e fascista, stalinista. Eu continuarei disputando os rumos políticos e a direção do PT. Ele é que tem de explicar o uso particular de recursos e influência no partido. Eu não! Tenho a vida limpa. Ele, eu já não sei”.

Lula perdeu as eleições em Maricá, cidade administrada por Quaquá, para Flávio Bolsonaro. Em Araraquara, terra em que Edinho foi prefeito, o presidente ficou atrás do senador no primeiro turno, mas virou no segundo por uma diferença de 5.481 votos.

“Enquanto o PT de Araraquara arrecadou R$ 5 milhões com a influência óbvia do presidente do PT sobre empresários, faltava material para a campanha de Lula nos Estados e os diretórios tinham que ser virar para rodar material”, protestou Quaquá.

Abafada até agora pela campanha eleitoral, a lavação de roupa suja no PT promete chacoalhar o quarto mandato de Lula. Quaquá sempre disse que quem pedia sua expulsão do partido era apenas um “dinossauro soviético” chamado Valter Pomar, dirigente da Articulação de Esquerda. “No PT, alguns próceres dedicam-se a torneios verbais, com direito a vitupérios”, reagiu Pomar em uma dessas ocasiões. Ao que tudo indica, porém, o “dinossauro soviético” ganhou agora aliados em sua batalha. (Coluna do portal Estadão, por Vera Rosa)

 

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