Segunda-feira, 20 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 20 de abril de 2026
Estima-se que o banco público precisa de ao menos R$ 8 bilhões para cobrir os prejuízos.
Foto: Paulo H. Carvalho/Agência BrasíliaEntre tantos patrocínios do Banco de Brasília (BRB), um dos que mais chama atenção de investigadores é uma sala VIP no Aeroporto Internacional de Brasília. A instituição pública firmou contrato de R$ 58,3 milhões, com vigência de três anos, para determinados clientes do BRB Card acessarem o espaço de forma gratuita. O acordo começou a valer em 1º de março, quando já se sabia da grave crise financeira do BRB, decorrente do rombo causado por compra de papéis podres do Master. O negócio é investigado pela Polícia Federal (PF). Estima-se que o banco público precisa de ao menos R$ 8 bilhões para cobrir os prejuízos.
Agora, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) quer explicações sobre o contrato para clientes do banco frequentarem a sala VIP. Do valor total, R$ 29,1 milhões serão repassados pelo BRB e R$ 29,1 milhões pela BRB Card. O banco tem até esta quinta-feira (23) para dar uma resposta.
O TCDF atendeu parcialmente um pedido do deputado distrital Ricardo Vale (PT). Ele queria a suspensão do contrato com a sala VIP e a abertura de uma auditoria para apurar outros contratos de patrocínio do BRB, desde 2019, incluindo o firmado com o Flamengo, renovado recentemente, com repasse de R$ 42,6 milhões até março de 2027.
No caso do patrocínio do Flamengo, Vale aponta mudanças no modelo do contrato, que deixa de priorizar a marca BRB para promover o banco digital Nação BRB Fla, além de mencionar exigências financeiras do clube carioca, como pagamento antecipado de parte dos valores. O BRB patrocina o Flamengo desde de 2020.
O relator do processo no TCDF, conselheiro Márcio Michel, alegou necessidade de mais informações antes de interromper o patrocínio com a sala VIP. O BRB e a BRB Card deverão apresentar documentos e informações com motivação, estudos de viabilidade, retorno institucional e compatibilidade da despesa com a situação financeira do banco.
O espaço tem acesso garantido a clientes do banco que têm um cartão específico e que atendem ao gasto mínimo estabelecido nas regras de acesso. A sala VIP é aberta 24 horas e fica na praça de alimentação do aeroporto. O terminal tem outras salas VIP, em diferentes pontos. Nos mais de sete anos de Ibaneis Rocha (MDB) à frente do Governo do Direito Federal (2019-2026), o BRB aumentou em 17 vezes o gasto com eventos e outros apoios comerciais.
Em 2025, o banco reservou R$ 125,8 milhões de gastos para esta finalidade. Uma década atrás, quando o banco gastava anualmente R$ 1 milhão com patrocínios. A guinada aconteceu a partir de 2019. No primeiro ano do governo Ibaneis, a despesa foi de R$ 7,2 milhões, depois a escalada acelerou. Grande parte do dinheiro gasto pelo BRB em patrocínio vai para o Flamengo, time de coração de Ibaneis.
Em 2020, o banco brasiliense fechou um contrato com o time carioca, a quem passou a dar R$ 32 milhões anuais. O caso foi parar no TCDF a pedido do Ministério Público, que questionou a regularidade do negócio. Um ano depois, Ibaneis adquiriu franquia de revenda de produtos do Flamengo. Em 2021, Ibaneis comprou uma franquia da loja de produtos do time, a Nação Rubro-Negra, com três sócios, seus filhos, então com 2, 16 e 23 anos. A unidade fica no Brasília Shopping, perto do Estádio Nacional.
O governador, inclusive, tentou trazer para Brasília o jogo do Flamengo contra o Palmeiras, pela final da Taça Libertadores da América de 2025, em meio à onda de violência no país vizinho. Em 2019, Ibaneis comandou a delegação do Flamengo em Guayaquil, no Equador, em partida contra o Emelec pela Libertadores. À época, ele embarcou na aeronave rubro-negra, com os dirigentes e atletas do clube.
Na condição de chefe da delegação do time carioca na cidade equatoriana, o governador entrou no gramado à frente da equipe, vestindo o uniforme rubro-negro. Uma semana depois, o BRB, firmou um patrocínio de R$ 2,5 milhões com o time de basquete do Flamengo.
No mesmo dia, o banco fechou um contrato de R$ 1,5 milhão com o Brasília, a equipe de basquete da capital federal, sede da instituição bancária e então único representante da cidade no NBB, o campeonato nacional da modalidade, também disputado pelo Flamengo.
Já em 2021, Ibaneis foi a Montevidéu, no Uruguai acompanhar a decisão contra o Palmeiras e ficou hospedado no hotel do time carioca. Dessa vez ele viajou em seu avião particular. A aeronave partiu de Brasília, passou no Rio de Janeiro e deu carona a dirigentes do Flamengo.
Um dos patrocínios esportivos do BRB que mais chamam a atenção é o da equipe sul-americana Mubadala Brazil SailGP Team, de barco à vela. São R$ 26 milhões para as temporadas 2025 a 2027, na liga SailGP, que tem etapas em vários países do mundo, como Nova Zelândia, Austrália, Brasil (Rio de Janeiro), Espanha e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. (Com informações do jornal O Tempo)
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