Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 2 de janeiro de 2018
No Ceará e na Bahia, é aliado do governo do PT. No Pará, apoia o PSDB. Também firmou alianças com governadores do PSB, do PMDB, do PP e do PCdoB. O PDT, legenda que na esfera federal faz oposição ao presidente Michel Temer (PMDB) e lançou o nome de Ciro Gomes como candidato ao Planalto em 2018, tem filiados ocupando 22 secretarias estaduais em 13 unidades da Federação. É o partido que mais cargos de primeiro escalão ocupa em governos de outros partidos.
A conclusão é resultado de um levantamento do jornal Folha de S.Paulo que apurou o perfil e a filiação partidária dos 547 secretários dos governos dos 26 Estados e do Distrito Federal. Ao todo, são 180 secretários filiados ao mesmo partido do governador, 180 filiados ou indicados por partidos aliados e 184 sem filiação partidária.
Depois do PDT, completam o topo do ranking de cargos em primeiro escalão em governos aliados PMDB, PSB, PSDB e PSD, nesta ordem. Os dados do levantamento apontam para uma capacidade camaleônica dos partidos em apoiar governos de diferentes linhas ideológicas.
Peemedebistas são parceiros do PT no Piauí e em Minas Gerais, a despeito da firme oposição no plano nacional desde a eclosão do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A recíproca acontece em Sergipe, onde petistas são aliados do governador Jackson Barreto (PMDB).
O PDT firmou a maioria das suas alianças com governos de esquerda, mas também tem parcerias com o PSDB no Pará e no Paraná e cargo no primeiro escalão do governo do PMDB no Rio de Janeiro. “Cada Estado tem sua característica particular. Em muitos casos, a nomeação é mais da relação pessoal do filiado com o governador do que uma aliança institucional entre partidos”, afirma o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.
Licença
Os secretários estaduais pedetistas Thiago Pampolha (da pasta de Esporte do Rio) e Edgar Bueno (de Assuntos Estratégicos do Paraná) licenciaram-se da sigla para assumir ou permanecer nos cargos. Por outro lado, o partido trouxe para seus quadros, nos últimos meses, secretários estaduais que não tinham filiação partidária no Acre, no Espírito Santo e em Alagoas. Neste último, o PDT está em um típico caso de “um pé em cada canoa” – aderiu ao governo Renan Filho (PMDB) e ocupa cargos na gestão do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), provável adversário do governador em 2018.
A presença dos partidos no primeiro escalão também reflete a força da legenda na negociação por cargos. Em muitos casos, o espaço conquistado nos governos aliados é maior do que o tamanho com que o partido saiu nas urnas. É o caso do PCdoB, que, com uma bancada de 12 deputados federais, ocupa dez secretarias em seis governos aliados.
Além da parceria com os governos petistas, o PCdoB também compõe com governadores como Renan Filho (MDB), de Alagoas, Paulo Câmara (PSB), de Pernambuco, e Robinson Faria (PSD), do Rio Grande do Norte. A maior parte das pastas ocupadas pelo partido, contudo, tem baixo orçamento. Outro exemplo é o PPS, que tem uma bancada de apenas nove deputados federais, mas teve força para emplacar cargos de primeiro escalão em oito governos – mais do que o DEM, que tem 30 deputados federais.
Força na Câmara
Outras siglas com maior bancada na Câmara, como PR, PRB e PSC, têm menos força nos Estados e baixa presença em secretarias. Em três casos, o principal partido aliado possui mais secretarias do que o do próprio governador, tornando-se uma espécie de “sócio majoritário” da gestão de outra legenda. No Ceará, por exemplo, comandado pelo governador petista Camilo Santana, o PDT ocupa quatro secretarias, incluindo algumas estratégicas como Fazenda e Infraestrutura. O PT, por sua vez, ocupa três pastas.
O protagonismo pedetista é resultado das costuras para a eleição de 2014, quando os ex-governadores Cid e Ciro Gomes apadrinharam a candidatura de Santana. O mesmo acontece em Santa Catarina, onde o PMDB ocupa cinco secretarias, enquanto o PSD do governador Raimundo Colombo ocupa quatro. No Espírito Santo, o PSDB tem mais secretarias que o PMDB, partido do governador Paulo Hartung.
Há ainda casos de secretários filiados a partidos adversários de seus respectivos governadores. No Ceará, o tucano Maia Júnior assumiu a secretaria de Planejamento do governo petista de Camilo Santana e tem implementado medidas de contenção de despesas e equilíbrio fiscal, bandeiras históricas do PSDB.
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