Terça-feira, 14 de julho de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Política PDT pede impeachment de Bolsonaro após perdão ao deputado federal Daniel Silveira

Compartilhe esta notícia:

O deputado federal Daniel Silveira ao lado do presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Reprodução)

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, entrou, na presidência da Câmara dos Deputados, com um pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (PL), na tarde desta sexta-feira (22). No processo, o ex-ministro denuncia o presidente da República por crime de responsabilidade ao se utilizar do instrumento constitucional para beneficiar seu aliado político, o deputado federal Daniel Silveira.

Na quinta-feira (21), Bolsonaro publicou um decreto concedendo ao parlamentar o benefício da graça, perdão, um dia depois de ele ser condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) à pena de oito anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado, por crimes de ameaça ao Estado Democrático de Direito.

Daniel Silveira passou a ser objeto de julgamento no STF após proferir diversas ofensas e ameaças criminosas contra a Suprema Corte e seus ministros, assim como ao regime democrático, o que, na argumentação do pedido de impeachment, demonstra que o deputado é “um indivíduo de pouco apreço à democracia e seus apanágios”.

Entre os efeitos da condenação do STF, estão determinadas a suspensão dos direitos políticos, a perda do mandato parlamentar e a imposição da pena do pagamento de multa referente a 35 dias, no valor de cinco salários mínimos, corrigidos monetariamente na data do pagamento.

No texto do decreto, Bolsonaro determina que todos os efeitos secundários da condenação do deputado também sejam anulados e que o perdão será concedido independentemente do trânsito em julgado da sentença penal condenatória.

No processo, Lupi ressalta que a medida do presidente se opõe diretamente, “por fatos e atos concretos, ao livre exercício do Poder Judiciário”, e macula o princípio da separação dos poderes, ultrapassando as etapas processuais nos autos da Ação Penal.

“O acórdão sequer foi publicado para que o Senhor Daniel Silveira possa interpor os recursos cabíveis, no que também não há se falar em trânsito em julgado”, destaca o documento, que ressalta, ainda que o decreto de Bolsonaro tenta, de modo inconstitucional, interrompe um processo ainda em curso e tentar impedir a punição do parlamentar antes de seu início, violando assim, o processo legal e, nessa extensão, o princípio da separação dos poderes.

“É inegável que as atitudes do presidente da República ferem de morte o livre exercício do Poder Judiciário, no caso, o Supremo Tribunal Federal, guardião da “Constituição Cidadã”, que por diversas vezes é acionado para fazer valer o texto constitucional frente às atrocidades cometidas pelo Governo Federal, pela via de controle abstrato de constitucionalidade”, ressalta o documento.

O pedido de impeachment precisa ser autorizado por dois terços da Câmara, para passar o processamento e julgamento pelo Senado Federal, sob a presidência do Presidente do Supremo Tribunal Federal.

No Supremo

Em outra frente, a Rede Sustentabilidade, o PDT e o Cidadania ajuizaram no STF Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental questionando decreto de Bolsonaro que concedeu graça constitucional (indulto individual) ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ).

As legendas alegam que a norma violou os preceitos fundamentais da impessoalidade e da moralidade, os quais devem reger a atuação da administração pública, previstos no artigo 37 da Constituição Federal. Apontam ainda que o decreto deve ser anulado, pois concedeu graça constitucional sem que tenha ocorrido o trânsito em julgado de condenação (quando não cabe mais recurso).

Na avaliação das siglas, houve também desvio de finalidade, pois o ato não foi praticado visando ao interesse público, mas sim o interesse pessoal de Bolsonaro, pois Daniel Silveira é seu aliado político. Elas apontam também que a norma afronta o princípio da separação de Poderes, pois o presidente da República não pode se portar como uma instância de revisão de decisões judiciais criminais que o desagradam.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Bolsonaro diz que indulto ao deputado federal Daniel Silveira serviu de “simbolismo” para “garantia da nossa liberdade”
Ministra Rosa Weber acolhe pedido do procurador-geral da República e arquiva inquérito contra Bolsonaro no caso Covaxin
Pode te interessar