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Mundo “Pensei que ia ganhar o Nobel da Paz”, diz Lula ao lembrar de papel de mediador em acordo com o Irã

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Lula deu a declaração durante conferência de imprensa ao lado do premiê alemão. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Se na área econômica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elegeu os biocombustíveis para martelar durante sua visita à Alemanha, na esfera geopolítica o conflito no Oriente Médio virou quase um mantra nas manifestações do presidente. Em conferência de imprensa ao lado do premiê alemão, Friedrich Merz, Lula lembrou de uma tentativa de mediação no Irã, em 2010, que ele chegou a imaginar como um Nobel da Paz.

“Eu pensei que o Trump, no caso o Obama, ia me indicar para o Nobel da Paz”, disse, rindo, e arrancando uma gargalhada de Merz, atrasada em segundos pela tradução simultânea.

Lula contou que, naquele ano, durante seu segundo mandato, a maior parte dos líderes ocidentais, de Angela Merkel a Barack Obama, se preocupava com o enriquecimento de urânio iraniano. O presidente brasileiro, acompanhado de um colega turco, foi a Teerã se encontrar com o então líder político do país, Mahmoud Ahmadinejad.

“Foi num jantar que eu convenci o Ahmadinejad da necessidade de tranquilizar o mundo assinando um contrato de que ele não iria enriquecer urânio para bomba atômica. Fizemos dessa forma, e uma parte do urânio enriquecido iria ficar na Turquia”, contou Lula.

“E o que aconteceu depois que nós fizemos o acordo? Tanto os companheiros da União Europeia quanto os EUA aumentaram o bloqueio ao Irã”, disse. “Levei uma proposta escrita pelo Obama de próprio punho.”

Lula afirmou acreditar que o mesmo está acontecendo agora, em grau piorado. “Eu não acredito (que o Irã esteja perto da bomba atômica), assim como não acreditei quando (George W.) Bush invadiu o Iraque. De vez em quando, as pessoas constroem um mito falso para justificar uma posição que é irreconhecível e irresponsável.”

Confrontado com a possibilidade de uma invasão americana a Cuba, propalada por Donald Trump e o Departamento de Defesa dos EUA nas últimas semanas, Lula comparou a situação da ilha com a de Gaza, Ucrânia, Venezuela e Irã, territórios submetidos a algum tipo de violação nos últimos tempos. “Cuba é vítima de um bloqueio econômico de 70 anos, um bloqueio ideológico. Não teve chance depois da revolução de conseguir seu destino.”

Instado a comentar o fato, Merz declarou que a Alemanha prioriza a condução diplomática das disputas. “Sou dos que defendem maior investimento em segurança nacional, mas isso não significa de maneira alguma invadir territórios”, declarou o premiê, sempre menos enfático que o colega brasileiro, mas nunca se esquivando de criticar os EUA.

Condutor de um país que recentemente limitou o uso de biocombustível no diesel a 4,4%, Merz usou a campanha de Lula pela tecnologia brasileira do produto para ressaltar o momento de insegurança energética da Europa, que já convive com controle de preços nas bombas e aviões no chão. “Nosso apelo primeiramente vai ao Irã, mas também a Israel e EUA para que busquem o caminho para uma solução diplomática. Porque essas inseguranças, a continuação do conflito, são uma ameaça para a Europa.”

Os dois líderes ressaltaram a necessidade de uma reforma da ONU, principalmente do Conselho de Segurança. Lula, mais de uma vez nesta viagem pela Europa, nominou os membros permanentes do Conselho, EUA, Rússia, França, Reino Unido e China. “O Conselho de Segurança não é primazia, não é privilégio de cinco pessoas que não estão preocupadas com a paz.”

Merz, por sua vez, contou que o Brasil votará pela inclusão da Alemanha como membro permanente, alteração buscada há anos e que pode acontecer em breve. “Ou assumimos a responsabilidade de brigar e lutar para mudar a Carta da ONU, mudar o Estatuto e garantir uma renovação, ou vamos continuar nessa nau solta, vagando pelo mar sem controle”, afirmou o presidente brasileiro.

Com perguntas limitadas pelo cerimonial alemão, Lula foi questionado uma única vez sobre o período eleitoral brasileiro, que negou estar turbulento para ele. “Ainda temos quase nove meses para a eleição”, disse o presidente, dilatando um período já inferior a seis meses. “Não tem turbulência nenhuma. Eu encaro eleição como a coisa mais democrática, mais tranquila possível.” As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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