A 10 de agosto do ano passado, líderes do Senado foram chamados ao Palácio do Planalto para ajudar na superação da crise política. Apresentaram um pacote de 28 medidas, prevendo a retomada do crescimento. As sugestões encalharam em alguma gaveta, o que foi interpretado como desinteresse. Com o passar das semanas, tornou-se raro o trânsito do governo com os parlamentares da base de apoio.
O que ocorreu no Senado foi o penúltimo capítulo. Após mais de 17 horas de sessão, o Senado decidiu levar a julgamento definitivo a presidente Dilma Rousseff, afastada do cargo desde 12 de maio. À 1h e 25min da madrugada de hoje, o placar mostrou 59 votos favoráveis e 21 contrários.
Dilma Rousseff buscou ainda apoio por telefone, sem êxito. Ao final das ligações, revelou estar frustrada. Mais do que isso: acabou isolada.
NAS ALTURAS
O governo federal se encaminha para o segundo ano consecutivo em que as despesas superaram a arrecadação em queda por conta da retração do Produto Interno Bruto e da inadimplência. Em 2016, o rombo chegará a 170 bilhões de reais, excluindo as despesas com juros da dívida. Para 2017, o déficit previsto é de 139 bilhões.
Ontem, o jurômetro passou dos 250 bilhões de reais. É o quanto custa a rolagem da dívida desde 1º de janeiro deste ano.
RISCO
Nos bastidores dos governos, tanto federal como estaduais, não se esgota o debate sobre elevação de alíquotas. Os economistas alertam para o risco da perda de receita em caso de aumento de impostos. É a Curva de Laffer, teoria segundo a qual a partir de um determinado nível de carga tributária a arrecadação passa a cair em vez de crescer.
INSISTÊNCIA
O governador José Ivo Sartori defende um novo pacto federativo. Brasília aceitará desde que não perca um centavo. A tese da melhor distribuição dos impostos foi levantada em 1991 pelo governador Alceu Collares, que percorreu o País defendendo-a. O poder central pressionou para abafá-la.
TIRO N’ÁGUA
A palavra mais repetida no País é reforma, abrangendo a tributária, a política, a trabalhista ou a fiscal. Nada sai do papel, porque o governo e o Congresso não sabem eleger prioridades. Faltam pontaria e capacidade de visualizar resultados úteis.
MODELO FUNCIONA
O esquema de 80 mil agentes no Rio de Janeiro, entre Polícias Militar, Civil, Federal e Forças Armadas, demonstra que a integração na segurança pública é possível e precisa ter prosseguimento.
O planejamento, contando com o setor de inteligência de cada instituição, traz bons resultados nos Jogos Olímpicos e pode se estender às principais capitais.
RÁPIDAS
* Ao estender noite adentro a votação sobre o relatório do impeachment, os senadores revelaram de novo a preferência por uma sessão boate.
* Nas campanhas eleitorais, vai entrar o tema burocracia, que estrangula o empreendedorismo e inibe a criação de empregos.
* Há os que chegam ao poder pelo discurso e outros pela obra.
* Hugo Chavez dizia que “ser rico é desumano”. Deixou 420 milhões de dólares para sua família.
* Do manual do candidato: não se preocupe com os excessos, porque o café só dá insônia aos cafeicultores.
