Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de abril de 2020
A Caixa Econômica Federal lançou na segunda-feira (20), em parceria com o Sebrae, uma linha especial de crédito de R$ 7,5 bilhões para micro e pequenas empresas, com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, além de microempreendedores individuais (MEIs).
É mais uma medida do governo para mitigar os impactos econômicos da pandemia de coronavírus, mas pequenos empresários se queixam dos obstáculos e da demora na análise de pedidos de financiamento nos bancos.
Para facilitar a concessão do crédito, a Caixa terá a garantia do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe) do Sebrae para cobrir parte da inadimplência. O volume de crédito anunciado pela Caixa ficou abaixo da expectativa do Sebrae, que esperava R$ 12 bilhões.
As condições também foram recebidas com ceticismo por pequenos empresários, que têm se queixado de dificuldades para acessar linhas de crédito mais baratas nos bancos porque são considerados clientes de alto risco.
Dona de duas unidades da franquia de depilação Pello Menos, no Rio de Janeiro, Alessandra Jordão, recebeu com descrédito o anúncio. Segundo ela, que já tentou outros empréstimos, há uma grande burocracia num momento em que as pequenas empresas têm pressa por causa da paralisação de atividades:
“No início do mês, tentei um empréstimo especial no banco, com taxa fixa, para pagamento da folha de pagamentos, conforme o governo havia anunciado. Era para dar um alívio ao empresário, que pagaria depois e com carência. Mas até hoje estou esperando resposta. Outros colegas passaram pela mesma situação em diferentes instituições bancárias”, conta Alessandra, que está com as duas lojas fechadas.
Para evitar demissões, aderiu à suspensão dos contratos funcionários. Sem saber quanto tempo vai durar a pandemia, ela estuda oferecer um voucher que seus clientes possam comprar agora para e usufruir o serviço depois. Seria uma forma de fazer algum caixa. Uma outra ideia, que não vingou, foi vender a cera usada para a depilação.
Caixa diz que juros caíram até 40%
As taxas de juros na nova modalidade anunciada por Caixa e Sebrae variam entre 1,19% e 1,59% ao mês, com carência e prazo de pagamento de 24 meses a 36 meses.
O valor do empréstimo vai depender do porte da empresa: será de até R$ 12.500 para microempreendedores individuais; de até R$ 75 mil para microempresas e de até R$ 125 mil para pequenas empresas. Sócios com o nome negativado não terão acesso à nova linha.
O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, diz que os juros serão reduzidos em até 40% na nova linha, em comparação com as taxas atuais, por causa do uso do fundo de aval do Sebrae. O Sebrae dará assistência aos interessados na negociação com a Caixa.
O empresário César Sued, que tem quatro pequenos negócios (três restaurantes e um centro de estética), também diz não acreditar que a nova linha de crédito possa ser uma saída para as contas acumuladas. Segundo ele, em geral, as concessões de créditos não são liberadas tão facilmente sem garantias, ainda que a governo subsidie uma parte:
“Os juros são fictícios. No final, eles nunca ficam inferiores a 2,7% ao mês de taxa efetiva. Recentemente, fiz dois empréstimos para poder finalizar um investimento. Logo após o governo postergar em 60 dias as parcelas, fui ao banco e meu gerente disse que isso era possível, porém todas as parcelas sofreriam acréscimo. Cada parcela teria um aumento de 6,5%.”
Segundo o Sebrae Nacional, o diferencial da nova linha de crédito é justamente ajudar os pequenos empresários a superarem as exigências dos bancos. A instituição acredita que a garantia do Fampe e o acompanhamento do Sebrae poderá agilizar a concessão do crédito.
O presidente do Sebrae, Carlos Melles, admitiu que os R$ 7,5 bilhões da nova linha de crédito ainda não são suficientes para atender o segmento de pequenas empresas, que enfrenta escassez de financiamento em meio à pandemia.
“Um dos maiores obstáculos no acesso dos pequenos negócios a crédito é a exigência de garantias feita pelas instituições financeiras. Nesse sentido, o Fampe funciona como um salvo-conduto, que vai permitir aos pequenos negócios, incluindo até o microempreendedor individual, obterem os recursos para capital de giro, tão necessários para atravessarem a crise provocada pela pandemia do coronavírus, mantendo os negócios e os empregos”, afirmou Melles, em nota.
O presidente da Caixa afirmou que o volume de crédito disponibilizado é o possível neste momento e que o banco estatal precisa lucrar com as operações:
“As operações só serão realizadas se for para a Caixa ganhar dinheiro. Não realizaremos operações de subsídio para ninguém.” As informações são do jornal O Globo.
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