Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 14 de janeiro de 2020
A perícia particular contratada pela Cervejaria Backer confirmou a presença do dietilenoglicol (DEG) nas amostras colhidas pela empresa. “Até o momento, todos os resultados batem com os divulgados pela Polícia Civil”, informa Bruno Botelho, professor de departamento de química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em controle de qualidade de cerveja. Ele trabalha a pedido da empresa, como informou a diretora de marketing Paula Lebbos em coletiva na manhã desta terça-feira (14). As informações são do jornal O Globo.
O especialista revela ainda que encontrou a substância tóxica na cerveja dos lotes contaminados e também no aparelho de refrigeração da fábrica da Backer. A assessoria de imprensa da Backer disse não ter a informação dada por Botelho à reportagem do jornal.
“O DEG estava na bebida do lote 1348 e no fluido de refrigeração do chiller”, afirma Botelho, em referência aos lotes L1 1348 e L2 1348.
Segundo o professor, o fluido não entra em contato com a bebida durante a produção. “Ele fica em uma serpentina posicionada ao redor do tanque da cerveja. Para que acontecesse um vazamento, era preciso haver uma rachadura em cada superfície e elas precisariam ser no mesmo lugar”, explica.
Botelho ainda acrescenta que o fluido evapora ao longo do processo de produção da cerveja. Por isso, ele precisa ser reposto com frequência. Desde o início das investigações, no último dia 9, a Backer afirma que trabalha com outra substância, o monoetileno.
O especialista informou que está trabalhando para determinar a concentração do dietileno nas amostras de cerveja. Os resultados devem sair até o fim da semana. “Isso é fundamental para entender o efeito dele no organismo afirmou”, disse ele.
Segundo informações da Agência Brasil, Paula Lebbos pediu nesta terça-feira (14) que ninguém consuma a cerveja Belorizontina, que, no Espírito Santo, recebe o rótulo de Capixaba, até que os fatos sobre a contaminação da cerveja sejam esclarecidos.
Pelo menos uma pessoa morreu e outras foram internadas depois de tomar a cerveja. Dez pessoas foram intoxicadas. A morte de outra pessoa, ocorrida em 28 de dezembro, está sendo investigada como uma possível intoxicação pelo consumo da Belorizontina. “O que preciso agora é que não bebam Belorizontina, quaisquer que sejam os lotes, por favor. Quero que meu cliente seja protegido. Não sei o que está acontecendo”, disse Paula.
Perícia policial
A Polícia Civil de Minas Gerais apresentou, na segunda-feira (13), o resultado da perícia realizada na substância recolhida do tanque de refrigeração de um dos tonéis usados na produção da cerveja.
Segundo as investigações, o resultado deu positivo para o dietilenoglicol. A substância já havia sido detectada em amostras de duas cervejas dos lotes L01 1348 e L02 1348, que foram fornecidas pelos familiares das vítimas de intoxicação, logo no início dos trabalhos de polícia judiciária.O sangue dessas pessoas foi analisado e também foi detectada a substância.
O chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Delegado-Geral Wagner Pinto, explicou que o objetivo agora é entender como se deu a intoxicação. “Neste contexto há uma necessidade premente do trabalho pericial. Hoje, podemos afirmar que há compatibilidade dos sintomas da síndrome nefroneural com o dietilenoglicol”, analisou.
Ministério da Agricultura
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) intimou, na segunda-feira, a Cervejaria Backer a recolher do mercado, além da cerveja Belorizontina, todos os produtos fabricados no período de outubro de 2019 até a presente data. A medida é para preservar a saúde dos consumidores.
Segundo o Mapa, “as análises exploratórias, realizadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária nas amostras dos produtos Belorizontina e Capixaba, confirmaram a presença dos contaminantes monoetilenoglicol e dietilenoglicol. Até o momento, três amostras foram analisadas. Estes produtos já estavam e continuam sendo retirados do mercado, por recolhimento feito pela própria empresa e por ações de fiscalização e apreensão dos serviços de fiscalização do Mapa”.
O Mapa já havia realizado o fechamento cautelar da unidade Três Lobos, da Cervejaria Backer, localizada em Belo Horizonte (MG), bem como a apreensão de 139 mil litros de cerveja engarrafada e 8.480 litros de chope. Também foram lacrados tanques e demais equipamentos de produção.
O Ministério informou que segue atuando nas investigações e tomando medidas para mitigar o risco apresentado pelas cervejas contaminadas pelas moléculas dietilenoglicol e monoetilenoglicol. O Mapa faz parte da força-tarefa de investigação das possíveis causas desta contaminação.
Cervejaria
A Backer informou, em nota divulgada na segunda, “que a medida de recall solicitada pelo Ministério da Agricultura está sendo objeto de apreciação judicial para revogação do ato. A cervejaria reitera que não faz uso do dietilenoglicol em seu processo produtivo e que o episódio apurado pelas autoridades limita-se ao lote ‘Belorizontina’, não tendo qualquer relação com os demais rótulos da empresa, que possui processos autônomos de produção”.
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