Quarta-feira, 08 de Abril de 2020

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Brasil Pesquisa afirma que fumaça de queimadas pode causar danos no DNA e morte das células dos pulmões

No auge da crise das queimadas na floresta, a China deu uma declaração de que a Amazônia é uma questão brasileira. (Foto: Greenpeace)

A fumaça das queimadas que ocorrem na Amazônia é tão maléfica que pode impactar na saúde da população a ponto de causar danos no DNA e morte das células dos pulmões. De acordo com um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mais de 10 milhões de pessoas estão diretamente expostas a altos níveis de poluentes devido aos desmatamento e incêndios na Floresta Amazônica.

O estudo diz que a exposição das células pulmonares humanas a partículas menores que 10 µm (ou dez micrômetros, que equivale a 10 milionésimos de metro), que são emitidas durante as queimadas, aumentou significativamente o nível de espécies reativas de oxigênio, citocinas inflamatórias, autofagia e danos ao DNA.

Além disso, se a exposição for continuada, aumentam-se as chances de apoptose e necrose, ou seja, a morte das células. “Para as crianças, há a perda da função pulmonar. Nós detectamos isso na Amazônia, nós temos a perda da cognição, do aprendizado, da memorização e da capacidade de aprender”, diz Sandra Hacon, pesquisadora e especialista em Saúde Pública e Meio Ambiente, da Fiocruz.

“A fumaça é composta por hidrocarbonetos aromáticos que são cancerígenos. No entanto, recentemente encontramos um poluente carcinogênico proveniente da queimada diferente dos hidrocarbonetos que conhecíamos, que é chamado de reteno”, afirma Sandra.

Por que queimadas prejudicam a saúde?

A saúde humana é afetada pelas queimadas porque a fumaça proveniente dela contém diversos elementos tóxicos. O mais perigoso é o material particulado, formado por uma mistura de compostos químicos. São partículas de vários tamanhos e as menores (finas ou ultrafinas), ao serem inaladas, percorrem todo o sistema respiratório e conseguem transpor a barreira epitelial (a pele que reveste os órgãos internos), atingindo os alvéolos pulmonares durante as trocas gasosas e chegando até a corrente sanguínea.

Outro composto prejudicial é monóxido de carbono (CO). Quando inalado, ele também atinge o sangue, onde se liga à hemoglobina, o que impede o transporte de oxigênio para células e tecidos do corpo.

“Isso tudo desencadeia um processo inflamatório sistêmico, com efeitos deletérios sobre o coração e o pulmão. Em alguns casos, pode até causar a morte”, explica o pneumologista Marcos Abdo Arbex, vice-coordenador da Comissão Científica de Doenças Ambientais e Ocupacionais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Araraquara (Uniara).

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