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Por Redação O Sul | 26 de junho de 2021
Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) continua a desdenhar publicamente o uso da máscara, um estudo publicado na renomada revista “Science” reforçou a comprovação de que esse equipamento de proteção individual (EPI) evita a transmissão do coronavírus.
A nova pesquisa é assinada por especialistas de Estados Unidos, Alemanha e China. E aponta que tanto os modelos cirúrgicos quanto os de alta filtragem, como “N-95” e “PFF-2”, conseguem diminuir o risco de contaminação.
“Descobrimos que a maioria dos ambientes e contatos onde as máscaras cirúrgicas estão presentes as condições são de baixa abundância de vírus”, descrevem os cientistas no estudo. “Versões mais avançadas e outros equipamentos são necessários em ambientes internos potencialmente ricos em vírus, incluindo centros médicos e hospitais.”
O objetivo era entender por que alguns trabalhos demonstravam a eficácia do uso da máscara na diminuição da transmissão, enquanto outros concluíam o contrário. Os novos resultados mostraram que a eficácia da máscara depende de sua capacidade de filtração e do quão rico em coronavírus é o ambiente que a pessoa está inserida.
As amostras de ar analisadas pelos cientistas demonstraram que a maior parte dos ambientes possui um nível baixo de partículas que contém o coronavírus e, por isso, as máscaras cirúrgicas têm boa eficácia para reduzir o risco de contágio. Mas isso não dispensaria a necessidade de estar em um local bem ventilado e com distanciamento social.
“Quando as pessoas veem imagens ou vídeos de milhões de partículas respiratórias exaladas ao falar ou tossir, podem temer que máscaras simples com eficiência de filtração limitada [por exemplo, 30% a 70%] não possam realmente protegê-las da inalação dessas partículas”, afirma um trecho do estudo, que prossegue:
“No entanto, como apenas algumas partículas respiratórias contêm vírus e a maioria dos ambientes está em um regime limitado de vírus, o uso de máscaras pode manter o número de vírus inalados em um nível baixo e pode explicar a eficácia observada das máscaras faciais na prevenção da propagação da covid”.
Em contrapartida, nos ambientes internos ricos em coronavírus, como hospitais que tratam pacientes com a Covid-19, faz-se necessário o uso de máscaras mais filtrantes. Mas, como há muita concentração de vírus, é preciso complementar a proteção adotando outras medidas, como distanciamento social e ventilação eficiente.
Conforme um dos envolvidos, o estudo não se baseia em uma questão binária se a máscara funciona ou não, mas em demonstrar quais medidas são mais eficazes para cada tipo de ambiente. E essa pesquisa reforça as duas principais funções da máscara, que é proteger quem está usando e também as pessoas ao redor.
Bolsonaro
Desde o começo da pandemia, Bolsonaro tem um histórico de recusa ao uso de máscaras. Ele já protagonizou outras cenas de aglomeração sem o uso do item de proteção, sendo multado no Maranhão e em São Paulo por conta destas condutas contrárias às regras estabelecidas para diminuir a transmissão do coronavírus.
Cobrando “exemplo por parte do presidente da República”, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) repudiou o episódio da semana passada, em que Bolsonaro destapou o rosto de uma criança que chegou ao seu colo durante ato público no Rio Grande do Norte.
“A poucos dias da celebração dos 31 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, o Brasil se depara com caso de afronta ao dever de proteção a esse segmento da população e desrespeito à Lei”, diz a nota da SBP.
“O mais preocupante deste tipo de atitude é que gera uma confusão na população, porque o presidente desmoraliza prefeitos e governadores que estão tentando aumentar o uso da máscara”, alerta o pesquisador Vitor Mori, da Universidade de Vermont (EUA).
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