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Política Pesquisa Datafolha diz que a maioria dos brasileiros aprova tornozeleira eletrônica em Bolsonaro e acha que o ex-presidente pretendia sair do Brasil

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Jair Bolsonaro conversa com advogado diante de Alexandre de Moraes em interrogatório de ação penal sobre trama golpista, no STF. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira aponta que a maioria dos brasileiros aprova as medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o levantamento, 55% dos entrevistados concordam com a decisão que obrigou o político a usar tornozeleira eletrônica, além de não poder usar as redes sociais e sair de casa entre 19h e 6h.

Entre os que afirmaram concordar com as medidas, 44% dizem apoiá-las totalmente e 11% concordam em parte. Entre os 41% contra a determinação, 32% discordam totalmente dela, enquanto 9% discordam em parte. Não opinaram 3%, e 1% respondeu não concordar nem discordar da decisão.

O índice de aprovação das sanções de Moraes é o mesmo daqueles que acreditam que o ex-presidente pretendia sair do País antes de ser julgado (55%). Outros 36% disseram acreditar que o ex-presidente não tinha a intenção, enquanto 10% não opinaram.

A pesquisa foi realizada entre os dias 29 e 30 de julho e ouviu 2.004 brasileiros com mais de 16 anos, em 130 cidades do país. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Bolsonaro é alvo de ação penal na Corte por tentativa de golpe de Estado. As medidas cautelares foram determinadas por Moraes após a Polícia Federal apontar que o ex-presidente e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu filho, vêm atuando, ao longo dos últimos meses, junto a autoridades governamentais dos Estados Unidos com o intuito de “obter a imposição de sanções contra agentes públicos do Estado Brasileiro”, em razão de suposta perseguição. A decisão do magistrado foi referendada por maioria da Primeira Turma do STF.

Revogação de visto

A pesquisa questionou ainda a opinião dos brasileiros sobre a medida que revogou o visto americano do ministro Alexandre de Moraes. Ao todo, 47 dos entrevistados apoia a medida, enquanto ela é reprovada por 42%. Além disso, 29% disseram descordar totalmente da medida, enquanto 13% discordam em parte, 10% não souberam opinar e 1% alegam não concordar nem discordar.

Em julho, logo após Bolsonaro ser alvo de uma operação da Polícia Federal e ser expedida a decisão que o obriga a usar tornozeleira eletrônica, o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio anunciou a revogação dos vistos americanos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, familiares e “aliados no tribunal”, sem especificar quais. A medida, segundo Rubio, tinha “efeito imediato”. Moraes, no entanto, não tem a documentação americana vigente. Há dois anos seu visto está vencido e ele não renovou.

Moraes também foi incluído pelo governo dos Estados Unidos na Lei Magnitsky, que acusa investigados de traição à pátria e afirma que tentam desestabilizar o país com apoio dos EUA. A medida prevê sanções financeiras, como o bloqueio de bens e investimentos em solo americano, além da proibição de uso de cartões de crédito vinculados a instituições dos EUA — ativos dos quais Moraes afirma não dispor. A legislação foi criada originalmente para punir violações de direitos humanos e atos de corrupção.

Ao comentar as sanções aplicadas a ele, Moraes disse que vai ignorá-las e seguirá seu trabalho normalmente. Segundo ele, a expectativa de que o país sucumba às pressões externas é ilusória:

“Esse relator vai ignorar as sanções que lhe foram aplicadas e continuar trabalhando como vem fazendo, tanto no Plenário quanto na Primeira Turma.” As informações são do jornal O Globo.

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