Segunda-feira, 09 de março de 2026
Por Redação O Sul | 8 de março de 2026
O empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de 2026, apontada na pesquisa Datafolha divulgada no último sábado (7), acendeu um sinal de alerta no governo. Interlocutores do Planalto avaliam que o resultado reflete um momento de desgaste político da gestão petista.
O levantamento mostra Lula com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que aparece com 43%. A diferença de três pontos percentuais está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na rodada anterior, realizada em dezembro, a vantagem do petista era significativamente maior: Lula aparecia com 51% das intenções de voto, contra 36% do senador.
Como explicação para o resultado, auxiliares do presidente citam a repercussão de investigações que atingem o entorno de Lula. Entre os episódios mencionados está a ofensiva da CPMI do INSS que levou à quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente – caso que ampliou a pressão política sobre o governo nas últimas semanas. Na quinta-feira, o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu a quebra de sigilo, em decisão favorável ao empresário.
Nos bastidores, integrantes do governo reconhecem que Flávio vinha sendo tratado com certo ceticismo dentro do próprio sistema político e avaliam que o novo cenário reforça a necessidade de o PT antecipar a estratégia de confronto com o senador caso ele continue avançando nas pesquisas.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que o resultado expressa o ambiente de polarização política do país, mas disse acreditar que o presidente segue como favorito.
“Isso expressa a polarização social e política do país e desafia o governo a ampliar sua comunicação, comparar as realizações e projetar o futuro. Eu não tenho dúvida de que o presidente Lula é favorito pelas condições objetivas”, afirmou.
Na mesma linha, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) avaliou que a disputa tende a ser apertada, mas afirmou que Lula mantém vantagem por ocupar o cargo.
“A eleição tende a ser acirrada e decidida nos detalhes. A pesquisa mostra um cenário competitivo, de conformação após a troca do candidato da extrema-direita, e também confirma que o presidente Lula segue liderando no primeiro turno e mantém forte apoio popular”, disse.
Entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, o resultado foi interpretado como um indicativo de que a estratégia de apresentar Flávio Bolsonaro como uma versão mais moderada do bolsonarismo começa a produzir efeito eleitoral. A aposta, segundo interlocutores do PL, é ampliar o diálogo com setores que resistem ao estilo mais confrontacional do ex-presidente.
“A população não quer mais radicalismo, quer equilíbrio. O Lula vai atacar muito, mas o Flávio tem se mostrado um candidato centrado e moderado, e isso está dando certo”, afirmou o deputado Cabo Gilberto (PL-PB).
O próprio senador reagiu ao resultado da pesquisa. “O Brasil escolheu prosperar. Que Deus conduza a nossa missão”, disse Flávio.
Ao jornal O Globo, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o resultado reforça a avaliação do partido de que a candidatura do senador vem ganhando tração nas pesquisas.
“O Flávio está muito bem. Outras pesquisas recentes já vinham mostrando números positivos para nós”, afirmou.
O desempenho do senador também passou a ser acompanhado com mais atenção por partidos do centrão. Na federação formada por União Brasil e PP, interlocutores afirmam que levantamentos internos já colocam Flávio em posição competitiva, inclusive à frente de Lula em alguns cenários.
Minas Gerais aparece, segundo dirigentes dessas siglas, como um dos estados em que o senador tem apresentado desempenho mais consistente. O estado é considerado estratégico por concentrar o segundo maior colégio eleitoral do país e, historicamente, funcionar como um termômetro das disputas presidenciais.
Entre dirigentes da federação, a leitura é que o resultado reforça a percepção de que Flávio pode se tornar um polo de agregação da direita caso mantenha um perfil considerado mais moderado na pré-campanha. O apoio do bloco, porém, ainda dependerá da consolidação desse desempenho nas próximas rodadas de pesquisa.
Até poucas semanas atrás, interlocutores de partidos de centro e centro-direita subestimavam o potencial eleitoral do senador. A aposta predominante era que o campo da direita acabaria se reorganizando em torno de outros nomes, especialmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ou alternativas fora do núcleo familiar do ex-presidente.
No Republicanos, a avaliação é mais cautelosa. Interlocutores da legenda reconhecem que o desempenho do senador chama atenção, mas ponderam que o cenário ainda pode oscilar à medida que a disputa ganhar contornos mais definidos.
Na leitura de integrantes do partido, o senador tem adotado nesta fase inicial da pré-campanha um perfil mais moderado – apelidado internamente de “Bolsonaro paz e amor” – o que ajuda a ampliar seu alcance fora do núcleo mais fiel do bolsonarismo.
Alguns dirigentes avaliam que o crescimento do senador ocorre, em parte, porque ele ainda não foi submetido ao mesmo nível de confronto político enfrentado por outros adversários de Lula. A expectativa é que, caso continue avançando nas pesquisas, o PT passe a concentrar críticas mais diretas à sua candidatura.
Entre partidos de centro, a tendência é que decisões mais claras sobre alianças fiquem para os próximos meses. A expectativa é que movimentos mais concretos sobre apoios comecem a se desenhar em meados de abril, após o fim da janela partidária. As informações são do jornal O Globo.
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