Domingo, 29 de março de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Pesquisa mostra que 76% das mulheres já foram vítimas de violência ou assédio no trabalho

Compartilhe esta notícia:

Mulheres representam 81,3% das vítimas que denunciaram assédio sexual no trabalho em 2024. (Foto: EBC)

Embora presentes em menor número no mercado de trabalho, mulheres são maioria das vítimas de violência e assédio nas empresas. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão, 76% das entrevistadas já sofreram algum tipo de violência, assédio ou constrangimento no ambiente profissional. Entre os homens, 15% afirmaram ter passado por situações similares.

Foram entrevistados mil mulheres e 500 homens a partir de 18 anos, em todas as regiões do País. O estudo, em parceria com o Instituto Locomotiva e apoio da Laudes Foundation, tem o objetivo de “fomentar o debate sobre as situações de violência e assédio vivenciadas pelas mulheres nos ambientes de trabalho”, segundo as pesquisadoras responsáveis.

Enquanto os homens relatam sofrer mais com situações de constrangimento e assédio moral, entre as mulheres, somam-se episódios frequentes de assédio sexual e discriminação de gênero: 36% delas relataram ser alvos de comentários constrangedores sobre seu aspecto físico, e 39% receberam convites para sair ou insinuações inadequadas, contra 9% e 8% dos homens, respectivamente.

“O ambiente de trabalho reproduz o que as mulheres vivenciam na sociedade de forma geral: uma série de situações de violência e preconceito que acontecem pelo simples fato de elas serem mulheres”, explica a diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê. “As situações de assédio e constrangimento são tão presentes no cotidiano das mulheres que, muitas vezes, acabam sendo naturalizadas, ou seja, tratadas como questões menores, que fazem parte do dia a dia.”

A crença geral de que os agressores não serão punidos desencoraja a maior parte das vítimas a seguir em frente com denúncias ou reclamações formais. Além das reações mais imediatas, como sentimentos de tristeza, raiva e humilhação (relatados por mais de 40% das mulheres), desamparo (21%) e culpa (19%), a longo prazo cerca de um quarto das vítimas desenvolve uma espécie de desconfiança em relação ao ambiente de trabalho e seus colegas. Parte afirma também perceber uma queda no rendimento e confiança no exercício do cargo, e a necessidade de buscar auxílio psicológico ou psiquiátrico.

Apesar disso, muitas contam temer perderem seus empregos e não conseguirem retornar ao mercado de trabalho caso denunciem. Esse medo tem explicação: 71% dos entrevistados admitem perceber que homens e mulheres têm diferentes oportunidades no mercado de trabalho. Seja em menores salários para o exercício das mesmas funções (71%), menores chances de conquistar uma promoção (61%), ou mesmo mais dificuldades em encontrar um bom emprego (60%).

“As lideranças de empresas e demais organizações precisam reconhecer que o assédio é uma questão que existe e persiste em nossa sociedade e, portanto, pode estar presente em seus locais de trabalho. Precisam assumir a responsabilidade em garantir um ambiente livre de assédio e violência e para isso, devem incluir em suas agendas internas oficinas e debates sobre a violência no trabalho, devem realizar campanhas de conscientização, e desenvolver políticas internas de combate a esse crime. E, precisam se posicionar abertamente ressaltando que suas empresas e organizações não aceitam assédio e violência”, enfatiza a Gerente do Programa Direitos e Trabalho da Laudes Foundation, Luciana Campello.

Dados da pesquisa mostram ainda que mulheres negras também são vítimas de discriminação racial no ambiente de trabalho (15%), e mais de 60% dos entrevistados acredita que elas também possuem menos oportunidades que mulheres brancas na busca por emprego.

“No caso específico do Brasil, é importante ressaltar ainda o marcador racial: aqui as mulheres negras estão em situação de maior vulnerabilidade, dado esse escancarado pela pandemia e historicamente apontado em diversos estudos sobre desigualdades no País. Por isso, ao tratar o assunto, é preciso considerar as interseccionalidades de gênero, raça, classe, idade, orientação sexual, entre outras”, destaca Campello.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Escolha de reitores de universidades federais deve seguir lista tríplice, decide ministro do Supremo
Transações virtuais do auxílio emergencial superam saques
Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Pode te interessar