Segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 23 de abril de 2015
Após um longo período de espera e expectativa, a Petrobras finalmente divulgou nesta quarta-feira o balanço auditado do exercício de 2014. A estatal registrou no ano passado um prejuízo de 21,587 bilhões de reais, contra um lucro de 23,6 bilhões de reais em 2013. A Petrobras informou no documento que a baixa contábil pelo esquema de pagamentos indevidos investigado pela Operação Lava-Jato, deflagrada pela Polícia Federal, foi de 6,194 bilhões de reais. Ou seja, essa quantia foi a perda por corrupção, segundo a estatal. Divulgação havia sido adiada duas vezes.
Ao comentar o balanço, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, fez um pedido de desculpas em nome dos funcionários da companhia pelo escândalo de corrupção. “Sim, a gente está com sentimento de vergonha por tudo isso que a gente vivenciou, por esses malfeitos que ocorreram. Não temos clarividência muito clara se foi de fora para dentro ou de dentro da fora. Sim, faço pedido de desculpa em nome dos empregados da Petrobras porque hoje sou um deles”, disse.
“O valor da baixa de gastos adicionais capitalizados indevidamente no ativo imobilizado oriundos do esquema de pagamentos indevidos descoberto pelas investigações da Operação Lava-Jato [baixa de gastos adicionais capitalizados indevidamente] foi de 6,194 bilhões de reais”, consta o balanço. A petroleira afirmou, no entanto, que não consegue identificar especificamente os valores de cada pagamento indevido.
Sobre a metodologia utilizada, a companhia explicou que listou todas as empresas citadas nas investigações e os contratos assinados com as contrapartes. Depois, calculou o valor desses contratos, identificando todos os pagamentos feitos, e aplicou um percentual fixo de 3% sobre o valor total, para estimar os gastos adicionais sobre o “montante total dos contratos”.
Baixas – Dos 6,2 bilhões de reais perdidos com corrupção, segundo o balanço, a maior parte (55%) ocorreu na área de Abastecimento, que foi comandada por Paulo Roberto Costa, com baixa de 3,326 bilhões de reais. Gás e Energia respondeu por 637 milhões de reais das perdas. As áreas de Distribuição e Internacional tiveram baixas de 23 milhões de reais cada, ao passo que o Corporativo da companhia teve perda de 99 milhões de reais. Outros 150 milhões de reais referem-se a pagamentos indevidos de empresas não citadas na Operação Lava-Jato.
Ao calcular as perdas com corrupção, a estatal concluiu, “com base nos depoimentos tornados públicos”, que o esquema de pagamento de propinas funcionou entre 2004 e abril de 2012. O cálculo pode ser considerado “conservador” e, caso apareçam fatos novos, o valor poderá ser corrigido, conforme Bendine.
O prejuízo líquido de 21,6 bilhões de reais em 2014 é o maior desde o ano de 1991, quando a Petrobras registrou perdas equivalentes a 1,21 bilhão de reais. Os dados são da empresa Economatica, em valores corrigidos pela inflação.
Ativos – No balanço auditado, a companhia reduziu o valor de seus ativos em 44,3 bilhões de reais, após ter reavaliado uma série de projetos, principalmente a Refinaria Abreu e Lima (PE) e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. A desvalorização foi calculada levando em consideração três fatores: a queda nos preços do petróleo, a redução da demanda e o atraso em projetos de refino no País por um longo período. Não serão pagos dividendos para acionistas em 2015, anunciou Bendine.
Superação – “Com a publicação dos resultados de 2014 auditados, a Petrobras transpôs uma importante barreira, após um esforço coletivo, que evidencia nossa capacidade de superação de desafios em um contexto adverso. Este exercício me trouxe ainda mais confiança de que iremos responder às questões estratégicas que nos defrontam”, escreveu o presidente da petroleira, acrescentando que o plano de negócios priorizará a exploração e produção de petróleo e gás.
Ações – À espera do balanço, as ações da Petrobras encerraram o dia em alta, impulsionando o avanço do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira. As ações preferenciais avançaram 0,23% e as ordinárias, 0,53%. (AG)
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