Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia Petróleo lidera nas exportações brasileiras e responde por metade do superávit do nosso país

Compartilhe esta notícia:

O superávit comercial da balança de petróleo e derivados atingiu US$ 31,22 bilhões de janeiro a setembro. (Foto: Reprodução)

O superávit comercial da balança de petróleo e derivados atingiu US$ 31,22 bilhões de janeiro a setembro, 40% a mais que o de iguais meses de 2025 e recorde de toda a série para o período. O valor equivale à metade do superávit da balança comercial total e na verdade foi ligeiramente superior ao saldo positivo de US$ 31,18 bilhões dos demais produtos que integram a pauta brasileira de exportação e de importação.

O petróleo bruto tornou-se desde setembro o principal item exportado pelo país e, segundo analistas ouvidos pelo jornal Valor Econômico, deve se manter como carro-chefe do superávit comercial, tanto por aumento de volumes exportados quanto pela manutenção de preços relativamente elevados. Até agosto, era a soja que liderava a pauta de exportação.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), estima que a exportação de petróleo este ano atinja US$ 59,96 bilhões, com aumento de 34,2% contra 2025. A soja deve vir em segundo, com US$ 53,25 bilhões, com alta de 22,3%, mostrando importante contribuição também do grão nos US$ 85,26 bilhões de superávit total da balança comercial projetado para este ano. Em 2025 o saldo foi de US$ 68,07 bilhões.

Historicamente deficitária, a balança de derivados de petróleo teve saldo negativo de US$ 6,54 bilhões de janeiro a setembro. O déficit foi 9,3% mais profundo que o de iguais meses de 2025. O superávit em petróleo bruto, porém, alcançou US$ 37,76 bilhões, com valor recorde para o período e 33,5% maior que o de 2025, sempre nos mesmos nove meses. O desempenho do petróleo, portanto, mais do que compensou o déficit acentuado em derivados. Os dados são do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), no âmbito do Indicador de Comércio Exterior (Icomex).

O aumento de preços, em razão do conflito no Oriente Médio, afetou tanto exportações e importações de petróleo bruto como também de derivados da commodity, diz Lia Valls, coordenadora do Icomex e pesquisadora associada do FGV Ibre.

Além de impacto de preços, houve aumento do volume exportado de petróleo bruto em razão das consequências do conflito, diz André Valério, economista do Inter. “A Petrobras está extraindo cada vez mais petróleo. Há uma combinação da maturação do pré-sal com o ambiente externo”, diz.

Os dados do Icomex mostram que os preços médios de exportação de petróleo bruto de janeiro a setembro deste ano subiram 17% ante iguais meses de 2025. A alta de preço foi acompanhada por aumento de 12,1% no volume embarcado. A combinação resultou em crescimento de 28,6% na receita de exportação da commodity.

As altas cotações de petróleo e a restrição de oferta de derivados refinados tiveram impacto em preços de combustíveis importados pelo Brasil, com alta média de 35,1%, em igual período. O volume desembarcado calu 8,1%, o que amenizou o efeito do aumento de preços, resultando em crescimento de 23,2% no desembolso com importações.

Para Valério, o petróleo bruto deve terminar como o principal produto da exportação brasileira. “Neste momento do ano não há mais tanta competição do agro porque o grosso das exportações já foi feito. E não vemos nenhum grande sinal de que essa dinâmica do petróleo será alterada no curtíssimo prazo. Será difícil vermos o preço do barril cair muito, porque deve haver a recomposição das reservas estratégicas que estão bastante depletadas.”

Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da Stonex, lembra que já se esperava aumento de produção de petróleo para 2026. Segundo o Plano Anual de Produção (PAP) divulgado pela Agência Nacional de Petróleo, diz, a produção da commodity prevista para este ano é de média de 4,19 milhões de barris por dia, com alta de 24,5% ante média de 2025.

O aumento da produção de petróleo no país, nota Cordeiro, atende também a demanda interna. “As refinarias estão produzindo mais, principalmente diesel e querosene de aviação, para conseguir abastecer o mercado doméstico. A Agência Internacional de Energia já projetava que o Brasil era um dos ofertantes secundários, aqueles produzem até 5 milhões de barris por dia, que mais cresceria em termos de produção. O Brasil está conseguindo abastecer mais o mercado doméstico, mas também ampliando os volumes de escoamento para fora.”

No caso do petróleo, o conflito no Oriente Médio trouxe uma restrição de oferta, atingindo muito os consumidores do golfo Pérsico, nota. E há uma crise de refino no caso dos derivados, aponta. “Houve ataques ucranianos contra centros de refino da Rússia e dos houthis, grupo aliado ao Irã, contra refinarias na Arábia Saudita, além do atraso das entregas do petróleo. Isso tudo vem contribuindo para uma redução da produção global de combustível e, consequentemente, uma restrição de oferta que atinge não só o petróleo, mas também os combustíveis. Por conta disso, as refinarias brasileiras começaram naturalmente a consumir mais petróleo.”

A estimativa atual da StoneX, diz Cordeiro, é que a cotação do barril de petróleo no último trimestre de 2026 se mantenha acima de US$ 100. Ele explica que é preciso cautela com a estimativa, porque considera que o desfecho para a liberação do estreito de Ormuz deve acontecer após as eleições legislativas nos EUA, marcadas para 3 de novembro.

A projeção atual do Inter para o superávit comercial da balança total brasileira é de US$ 89 bilhões em 2026, bem maior que os cerca de US$ 70 bilhões a US$ 75 bilhões do que os estimados no início do ano. Boa parte do aumento, explica Valério, vem do aumento maior que o esperado da exportação de petróleo. As informações são do jornal Valor Econômico.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Renegociação de dívida rural começa a ganhar incremento no Banco do Brasil
Superior Tribunal de Justiça pode definir direitos de árbitros de futebol
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x