Terça-feira, 03 de março de 2026
Por Redação O Sul | 2 de março de 2026
Diante da escalada do conflito no Oriente Médio, após o ataque de Estados Unidos e Israel ao Irã e a contraofensiva de Teerã, a Petrobras informou nessa segunda-feira (2) que possui rotas alternativas à região afetada, em meio ao bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% de todo o comércio mundial de petróleo e gás. A companhia afirmou que vem monitorando atentamente o cenário internacional e os desdobramentos geopolíticos que podem impactar o fluxo global de energia.
Em nota, a estatal brasileira disse que seus fluxos de importação são majoritariamente realizados fora da região de crise e que as poucas rotas que passam pela área podem ser redirecionadas para outros trajetos considerados seguros. Assim, a Petrobras reforçou que não há risco de interrupção das importações e exportações no momento, destacando que mantém planos de contingência para diferentes cenários.
Segundo a petrolífera, isso garante “segurança e custos competitivos para as operações da companhia, preservando as margens”. A empresa acrescentou que segue avaliando continuamente o ambiente externo para assegurar estabilidade no abastecimento e previsibilidade operacional.
A preocupação dos analistas é que o aumento do preço do petróleo, que chegou a US$ 82 no mercado internacional, possa se refletir no avanço dos preços da gasolina e do diesel no mercado nacional nas próximas semanas. Segundo dados da Abicom, que reúne os importadores, os valores praticados pela estatal estão até 23% mais baratos em relação ao mercado internacional, com base em dados apurados até o fim de semana, o que amplia a defasagem frente às cotações externas.
Uma fonte do alto escalão da companhia lembrou que a estatal, por enquanto, vai avaliar a duração e a consistência do movimento de alta dos preços antes de decidir sobre um eventual reajuste nos combustíveis. A avaliação interna é que oscilações pontuais não necessariamente justificam mudanças imediatas na política comercial.
Segundo relatório do Scotiabank, um cenário prolongado de alta do petróleo provavelmente impulsionará termos de troca mais favoráveis para o Brasil, abrindo caminho para uma moeda local ainda mais apreciada no médio prazo. No entanto, os efeitos colaterais sobre a inflação podem limitar esse movimento.
“Preços de energia estruturalmente mais altos são altamente inflacionários e quase certamente dificultariam o iminente ciclo de corte de juros recentemente sinalizado pelo Banco Central do Brasil”, disse o Scotiabank, ao destacar que pressões persistentes sobre combustíveis e transporte tendem a contaminar outros setores da economia.
Telmo Ghiorzi, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (ABESPetro), classifica o momento como de muita incerteza, especialmente diante da possibilidade de prolongamento das tensões na região. Mas ressalta que o país tem hoje elevado volume de produção e exportação, o que oferece alguma resiliência diante de choques externos.
“O principal mercado comprador do petróleo do Brasil é a China, e o Estreito de Ormuz não é uma rota prioritária. Mas, com o bloqueio, os navios podem ficar parados, e isso pode afetar o transporte de petróleo. É preciso esperar ao menos um mês para entender os impactos na indústria.” (Com informações do jornal O Globo)
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