Quinta-feira, 30 de abril de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Variedades “Pirei mesmo”: Claudia Raia ficou insegura ao interpretar mulheres sem glamour em peça sobre a menopausa

Compartilhe esta notícia:

Pela primeira vez em mais de quatro décadas de carreira, Raia afirma que se sente vulnerável no palco ao interpretar mulheres comuns. (Foto: Reprodução)

A situação poderia render um esquete cômico. Em 2018, os jovens Enzo e Sophia, então com 21 e 15 anos respectivamente, chamaram o ator Jarbas Homem de Mello, marido de sua mãe, para uma conversa. “Olha, você trata de dar um jeito porque ninguém aqui aguenta mais ela”, falaram os dois.

“Ela” era a atriz Claudia Raia, que, aos 51 anos, apresentava nos últimos meses um comportamento diferente de sua personalidade. Sempre bem-humorada e cheia de energia, Raia se queixava de dores de cabeça e mostrava intolerância às mínimas discordâncias dos filhos.

Homem de Mello estranhava as atitudes da companheira, mas desviava de uma conversa profunda para não incentivar novas irritações. “Eu tentei ao máximo preservar uma intimidade que até aquele momento me parecia ser só dela e não da família”, diz.

Eram os primeiros sintomas da menopausa, e Raia, conhecida pelo senso prático, fazia vistas grossas para aceitar que a hora havia chegado. “A gente passa a vida se achando esperta, e eu não tinha sacado o que era até o Jarbas sugerir que procurasse ajuda”, afirma a artista, que logo consultou um médico. “Eu não sorria mais, as variações de humor afetavam a minha família, e esse alerta serviu para tirar um esparadrapo da minha boca.”

Na sua autocrítica, Raia imaginou quantas mulheres atravessavam caladas uma fase semelhante e não encontravam com quem trocar as suas angústias. A primeira plataforma escolhida para se posicionar foi o Instagram e, impressionada com o engajamento de seguidores na rede social, a atriz sentiu ter em mãos um tema fértil e relevante para ser explorado.

Lançado em janeiro em Lisboa, a peça “Cenas da Menopausa”, escrita por Anna Toledo e dirigida por Homem de Mello, teve público de mais de 70 mil pagantes até março, em 67 sessões por 8 cidades portuguesas. A estreia brasileira será neste fim de semana com 3 apresentações, de sexta a domingo, no Teatro Guaíra, em Curitiba. No dia 12, a comédia dá início à sua temporada paulistana, no Teatro Claro Mais, do Shopping Vila Olímpia, que vai até setembro. No começo de 2026, volta a Portugal.

Mais que com o sucesso de público, Raia tem se animado com o retorno recebido dos fãs que se sentem acolhidos diante das histórias que, repletas de humor, emocionam diferentes espectadores. Em Lisboa, um homem na faixa dos 50 anos abordou os protagonistas na saída do teatro. “Hoje, eu entendi que não era nada pessoal”, disse ele. Alguns dias depois, uma médica contou que a menopausa não foi estudada na sua faculdade, e só depois da própria experiência ela se especializou para atender as pacientes.

“O tabu é tão grande que muitas mulheres recorrem a antidepressivos ou ansiolíticos quando o que precisam é de reposição hormonal”, afirma a atriz. Em meio ao climatério, Raia engravidou do terceiro filho, Lucca, hoje com 2 anos. “E sabe que depois do nascimento dele voltaram os sintomas todos de novo?”

O fio condutor de “Cenas da Menopausa” é a personagem Teresa, uma corretora de imóveis, casada com Mário (vivido por Homem de Mello), sobrecarregada no trabalho e preocupada com os filhos adolescentes. “Ela é uma dúvida ambulante”, diz a atriz.

Raia ainda interpreta nos demais esquetes a negacionista Laurinha, a executiva Isabel e a desencanada Gilda, que sofrem para aceitar a nova fase.

O diretor se reveza em outros seis tipos, um deles, uma senhora de 75 anos. “A gente trata o tema com leveza e humor, o que tem feito as pessoas buscarem informações que traduzam suas dúvidas”, diz Homem de Mello.

A dramaturga Anna Toledo, que realiza a terceira parceria com Raia e Homem de Mello, depois de ter escrito “Conserto para Dois” (2022) e “Tarsila, A Brasileira” (2024), afirma que o riso é terapêutico. Aos 55 anos, ela mesma atravessava noites insone e sofria com os calores quando recebeu o convite para o projeto.

Assim como Raia, Toledo relutou em dividir a questão com o parceiro, o músico Ladislau Kardos, e temeu que as instabilidades do climatério pudessem comprometer o relacionamento.

“Deixamos de falar porque a primeira impressão é que, a partir dali, seremos vistas como velhas e sem libido sexual”, diz Toledo. “Para escrever o texto, dividi indagações com amigas e fiquei impressionada como tantas de nós sofremos em silêncio.”

Pela primeira vez em mais de quatro décadas de carreira, Raia afirma que se sente vulnerável no palco ao interpretar mulheres comuns e guiadas por conflitos que fazem parte do cotidiano de qualquer uma. “Não estou usando figurinos luxuosos, subindo e descendo escadas como uma vedete ou apoiada no glamour, e isso me deu uma tremenda insegurança”, diz. “Eu olhava no espelho do camarim e não me reconhecia, achava tudo tão simples, pirei mesmo.”

Marido e diretor, Homem de Mello, de 55 anos, percebeu nos primeiros ensaios que uma surpreendente fragilidade havia aflorado naquela profissional com tanta estrada no teatro, televisão e cinema. Sensível, ele considerou que aquilo seria inspirador para que a parceira se desafiasse como intérprete.

“Enxerguei a Claudia despida da imagem de diva, relutante em se expor e, justamente por isso, acho que ela nunca esteve em cena tão próxima de si mesma”, diz Homem de Mello. As informações são do jornal Valor Econômico.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Variedades

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Dez por dia, 50 na semana: como Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert, outros artistas já falaram sobre quantas vezes fazem sexo
Justiça condena Google a indenizar por erro de informação de inteligência artificial
Pode te interessar