Quarta-feira, 05 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 16 de julho de 2015
Para enfraquecer Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que tem imposto derrotas ao governo e terá o controle da Câmara dos Deputados em caso de processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, o governo conta com uma denúncia contra o peemedebista na Operação Lava-Jato, o que poderá ocorrer nos próximos dias.
A novidade seria um depoimento do executivo Júlio Camargo, que pactuou um acordo de delação premiada com o MPF (Ministério Público Federal).
O próprio Cunha já confidenciou a aliados que espera ser denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e prometeu retaliar o Planalto.
Cunha, assim como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), atribui sua investigação a uma ação do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça). A cúpula do Congresso queixou-se de que o governo Dilma não fez nada para impedir inquéritos contra eles.
Na terça-feira, Cunha avisou a Michel Temer (PMDB), vice-presidente da República, que instalará CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) prejudiciais ao governo na volta do recesso parlamentar. São elas: a do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a dos fundos de pensão.
Preocupado, Temer conversou com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o informou das intenções de Cunha. Mercadante procurou o presidente da Câmara para tentar apaziguar os ânimos e rechaçar qualquer tipo de interferência do governo na Lava-Jato.
Cunha, no entanto, tem dito a aliados que a denúncia contra ele terá efeito oposto, prometendo aumentar a pressão sobre o governo.
Junto ao PMDB na Câmara, ele disse ainda que articulará a convocação de Mercadante e do ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, na CPI da Petrobras.
Os ministros foram citados na delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC. Ele disse ter dado dinheiro proveniente de caixa dois a Mercadante, em 2010, e ter sido pressionado por Edinho a contribuir com a campanha de 2014 da presidenta Dilma em troca de obras na Petrobras. Ambos petistas negam as irregularidades.
Em outra frente, Cunha dará início à apreciação de contas presidenciais de anos anteriores para abrir caminho para a análise das faturas de 2014 de Dilma. O TCU (Tribunal de Contas da União) rejeitará as contas da petista.
Navios-sonda
O doleiro Alberto Youssef declarou à Justiça Federal que Cunha foi o destinatário final da propina paga pelo aluguel de navios-sonda para a Petrobras em 2006.
O assunto é alvo de uma ação penal a que respondem Youssef e outras três pessoas por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Também são réus o operador Fernando Baiano, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e o empresário Júlio Camargo, que teria intermediado o contrato.
O doleiro disse que Camargo citou exatamente o nome de Cunha a ele, em conversas sobre o pagamento da propina, em 2011.
Em depoimento prestado em maio deste ano, Camargo negou que tenha mencionado o nome de Cunha ou mesmo atribuído qualquer participação ao deputado nesse episódio.
Interlocutores do presidente da Câmara dos Deputados disseram que Cunha foi avisado de que Camargo teria mudado sua versão em depoimento. Por esse motivo, o peemedebista espera ser denunciado pela Procuradoria.(Folhapress)
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