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Brasil Uma polêmica na TV impulsionou citação à presidenciável Manuela D’Ávila nas redes sociais

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A pré-candidata participou de tradicional programa de entrevistas. (Foto: Reprodução)

As citações à presidenciável Manuela D’Ávila foi impulsionada nas redes sociais após uma polêmica na TV. De acordo com levantamento feito com exclusividade pela Dapp (Diretoria de Análise de Políticas Públicas) da FGV (Fundação Getulio Vargas) para o jornal Estado de S. Paulo, a pré-candidata foi citada 200 mil vezes no Twitter, entre segunda-feira (25), quando foi exibido o programa, e quarta-feira (27), ascendendo em volume aos números normalmente reservados a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PSL) e, nos últimos meses, Ciro Gomes (PDT) em situações específicas.

O levantamento da FGV diz que a sabatina da pré-candidata foi o motor das pautas da semana, “seja pelo engajamento, compartilhado por perfis de toda a esquerda, de críticas à condução da entrevista, com queixas de machismo e de desvirtuamento das perguntas; seja pelo impulso dado à polarização entre Lula e Jair Bolsonaro, ambos protagonistas, com Manuela, das discussões levantadas no programa”.

E paralelamente a essas discussões, subiram igualmente no período em análise (dias 25 a 27) as referências a Lula e a Bolsonaro. “Lula, na terça (26), chegou a 102 mil tuítes, frente a menos de 50 mil de média diária na semana anterior; e Bolsonaro, de média diária de cerca de 35 mil tuítes no mesmo período, foi a 57,8 mil na terça posterior à transmissão do Roda Viva com Manuela”, diz o levantamento da FGV, explicando que o principal eixo de debate referente ao petista, além das referências associadas a Manuela, foi o imbróglio do pedido de sua soltura, feito por sua defesa, no STF (Supremo Tribunal Federal).

No caso de Lula, segundo o estudo, o crescimento se deu pela condução no STF do julgamento do seu pedido de soltura. Após a notícia de que o ministro Edson Fachin decidiu encaminhar o pedido ao plenário do Supremo, houve intensa mobilização dos perfis contra o petista, não só de apoiadores de Bolsonaro, com críticas à Corte.

Quanto a Bolsonaro, a relação é com o fato de um dos coordenadores da campanha do presidenciável do PSL ter participado da entrevista com Manuela D’Ávila e ter rivalizado com ela as principais discussões no programa.

Facebook

Segundo a FGV, o bom resultado obtido por Manuela desde a condenação de Lula, ao atrair maior número de seguidores e engajamentos para suas postagens e expandindo o alcance que detém no Facebook, resultou em pico de mais de 295 mil interações com as publicações que fez na terça-feira, após a participação no Roda Viva. “Ficou inclusive à frente de Jair Bolsonaro, que permanece como o pré-candidato com melhor média de engajamentos por postagem”.

Machismo

O “Gostaria de retomar a palavra, enquanto entrevistada, se tu me permitires.” “Se você me deixar concluir o raciocínio…” “Vocês gostam de falar mais do que eu. É fantástico.”

Vestida com uma camiseta que estampava a frase “Lute como uma garota”, a pré-candidata à presidência da República Manuela D´Ávila (PC do B) repetiu as queixas acima durante entrevista ao programa Roda Viva (TV Cultura), na segunda-feira (25).

Segundo levantamento do jornal Folha de S. Paulo, a deputada estadual pelo Rio Grande do Sul foi interrompida ao menos 40 vezes durante a entrevista. O jornal considerou como interrupção as ocasiões em que a entrevistada teve dificuldades de concluir sua fala devido a intervenção de alguém.

Nas redes sociais, movimentos feministas classificaram como machista o comportamento dos entrevistadores. Um abaixo-assinado online com mais de 15 mil assinaturas na noite de terça (26) pedia que a TV Cultura marcasse uma nova entrevista com ela.

Embora o formato do Roda Viva, em que vários entrevistadores fazem perguntas a um mesmo nome, favoreça esse tipo de interrupção, o caso de Manuela foi atípico, se comparado ao de outros pré-candidatos, homens ou mulheres, sabatinados pelo programa recentemente.

Marina Silva (Rede) foi interrompida 3 vezes. Guilherme Boulos (PSOL) e Ciro Gomes (PDT), 9 e 8 vezes, respectivamente. Com Ciro, por sinal, deu-se com maior frequência o oposto: interrompeu seus entrevistadores em 16 ocasiões.

Os comentários em defesa de Manuela se valeram do termo em inglês “manterrupting”, flexão de “man”
(homem) e “interrupting” (interrompendo), usado para apontar casos em que a fala de uma mulher é
atravessada por declarações de um homem.

A banca de entrevistadores era composta pelas jornalistas Vera Magalhães (O Estado de S. Paulo), Letícia Casado (Folha), João Gabriel de Lima (revista Exame), o bacharel em filosofia Joel Pinheiro da Fonseca (colunista da Folha) e o diretor da Sociedade Rural Brasileira Frederico D’Ávila. Sobretudo a participação deste último, coordenador do programa rural do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), foi contestada nas redes sociais, por sua ligação com um candidato no polo oposto da pré-candidata do PC do B.

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