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Brasil Polícia Civil do Distrito Federal exonera delegado após ele atribuir às mães a responsabilidade de casos de estupro dentro de casa

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Área em amarelo sinaliza falas do delegado. (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil do Distrito Federal decidiu exonerar o diretor de comunicação e delegado Miguel Lucena. A medida foi baseada na declaração – dada por ele em um grupo de divulgação oficial no WhatsApp – de que “crianças estão pagando muito caro por esse rodízio de padrastos em casa”.

A frase fazia referência ao caso de uma menina de 11 anos, estuprada pelo padrasto no Gama, no início da manhã. Até as 18h, o suspeito de 32 anos ainda não tinha sido capturado. O caso é investigado pela 14ª Delegacia de Polícia.

Em nota, o Palácio do Buriti informou que “os comentários feitos pelo delegado em grupo de WhatsApp não representam a opinião da corporação”. Com a decisão, Lucena deixa de comandar a comunicação da Polícia Civil, mas segue como delegado. A exoneração foi publicada no Diário Oficial dessa terça-feira. Quem assume interinamente é a agente Joseane Oliveira.

A declaração gerou uma “reação generalizada” dos demais jornalistas, que questionaram a ideia de atribuir culpa à mãe da criança – e não, ao próprio estuprador. Em resposta, Lucena disse ser “politicamente incorreto”, e que “é preciso ter cuidado com quem se leva para casa”. Após meia hora de discussão, o delegado e os membros da Divicom (Divisão de Comunicação) deixaram o grupo de mensagens.

O espaço foi criado pela própria Polícia Civil do DF, como um meio mais simples de tirar dúvidas de jornalistas e prestar informações sobre ocorrências, operações e coletivas de imprensa. Questionada pela reportagem, a corporação informou que “não vai se pronunciar sobre discussão particular de grupo de WhatsApp”.

O crime

A ocorrência foi registrada pela mãe da criança de 11 anos no início da manhã de segunda-feira, logo após o crime. Em depoimento à polícia, a mulher diz que chegou em casa por volta das 6h30min, e ouviu um relato detalhado do estupro feito pela própria filha.

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