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Rio Grande do Sul Polícia Civil indicia brigadiano pelas mortes da ex-mulher e dos pais dela em Cachoerinha

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Família Aguiar: vítimas foram vistas pela última vez em janeiro. (Foto: Reprodução)

Preso desde 10 de fevereiro como suspeito das mortes da ex-mulher e dos pais dela, em Cachoeirinha (Região Metropoliana de Porto Alegre), um policial da Brigada Militar (BM) foi indiciado pela Polícia Civil nessa sexta-feria (17). As acusações são de triplo homicídio qualificado e ocultação de cadáveres, já que os corpos das vítimas não foram encontrados até hoje.

Outras cinco pessoas também são apontadas por envolvimento direto ou indireto no chamado “Caso da Família Aguiar”. O grupo é formado pela mãe, um irmão, um amigo, a atual esposa e a sogra do brigadiano, por crimes como furto na residência dos desaparecidos, ocultação de cadáver, fraude processual (incluindo falso testemunho), conforme a participação de cada um. Em comum a todos, a imputação de organização criminosa.

Se os indiciamentos resultarem em denúncia por parte do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) à Justiça e esta aceitar, os investigados ser tornarão réus, posteriormente submetidos a júri popular.

O processo corre em segredo de Justiça, motivo pelo qual a Polícia Civil não tem compartilhado todos os detalhes da apuração. Nos depoimentos prestados até agora, o brigadiano tem se valido do direito de permanecer em silêncio. Informaões extraoficiais indicam que o caso envolve motivações financeiras e passionais.

Entenda o caso

A apuração tem como principal envolvido Cristiano Domingues Francisco, 39 anos e soldado da PM em Canoas (também na Região Metropolitana da capital gaúcha). Já os desaparecidos são Silvana Aguiar (48) e seus pais Isail Aguiar (69) e Dalmira German Aguiar (70), donos de um minimercaso na cidade.

Nos dias 24 e 25 de janeiro, Silvana – ex-companheira de Cristiano – publicou em rede social uma mensagem dizendo ter sofrido acidente de carro ao retornar de viagem a região de Gramado (Serra Gaúcha). O texto também agradecia por orações. Ela nunca mais se manifestou ou fez contatos, e seu telefone celular continua desligado até hoje.

O casal de isodos deu por falta da filha e, ao tomar conhecimentio das postagens, deu início a buscas. Após tentaiva frustrada de registrar o desaparecimento de Silvana em uma Delegacia de Cachorinha (era domingo e não havia expediente), o casal de idosos também “sumiu do mapa”.

A Polícia Civil tratou o caso inicialmente como desaparecimento e, pouco tempo depois, como triplo homicídio, mesmo sem os corpos. Isso porque, pela legislação criminal brasileira e de outros países, a ausência desse elemento de materialidade não é aspecto impeditivo para acusações de assassinato.

Para os investigadores, o tal acidente de trânsito mencionado por Silvana não passou de um embuste para ocultar seu feminicídio. A conclusão levou em conta aspectos como o fato de o automóvel dela ter sido encontrado intacto na garagem de casa e com a chave no interior da residência.

Também pesa contra o brigadiano e os demais quatro indivíduos a identificação de vestígios de sangue – sem indícios de luta – dentro e fora do imóvel da família Aguiar. Imagens de câmeras também reforçaram as conclusões do inquérito.

(Marcello Campos)

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