Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de julho de 2015
Trechos do relatório apresentado pela PF (Polícia Federal) que justificou o indiciamento de Marcelo Odebrecht, presidente da holding Odebrecht S.A., na segunda-feira (20), indicam que o empreiteiro tentou atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato – que apura o escândalo da Petrobras – antes de ser preso.
A conclusão da PF ocorreu após a verificação de textos encontrados em celulares usados por Marcelo. Os trechos foram escritos com várias siglas. O executivo está preso na carceragem da PF em Curitiba (PR) desde 19 de junho. A defesa dele, representada pela advogada Dora Cavalcanti, não quis comentar o assunto. O documento afirma que as anotações citam autoridades públicas, doações de campanha, pagamentos diretos e influências junto a instituições, inclusive o Judiciário.
O delegado Eduardo Mauat da Silva considera que o caso mais grave diz respeito à utilização de dissidentes da PF para, de alguma forma, barrar o andamento das investigações. Além de Marcelo, outras sete pessoas ligadas à empresa foram indiciadas pela PF na segunda-feira. Os crimes citados no relatório são fraude em licitação, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, crime contra a ordem econômica e organização criminosa.
Em outro trecho do relatório, a PF aponta que, nas anotações, fica nítida ainda a preocupação de Marcelo em relação às subsidiárias da Petrobras. “Chama a atenção também a preocupação de Marcelo em relação às Cias da Petrobras estarem sendo conduzidas por ‘xiitas’ e, nas palavras dele, com seguinte linha de pensamento: temos que encontrar ‘culpado’, caso contrário vamos ser acusados de ‘incompetentes e/ou coniventes'”, destaca o documento. (AG)
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