Sábado, 27 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 27 de junho de 2026
A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter identificado novos indícios de ocultação patrimonial ligados ao empresário Daniel Vorcaro após sua prisão preventiva. A informação consta de manifestação reproduzida pelo ministro André Mendonça na decisão que negou o pedido de prisão domiciliar do fundador do Banco Master e o transferiu da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para a Papudinha.
Segundo a PF, “elementos recentemente identificados sugerem a realização de movimentações com características compatíveis com estratégias de ocultação, blindagem ou deslocamento patrimonial”. A corporação sustenta que esses fatos reforçam a necessidade de manutenção da prisão preventiva “sob a perspectiva dos próprios interesses da investigação”.
A manifestação também afirma que “persistem elementos indicativos de que integrantes do núcleo de apoio ao investigado” seguem “desempenhando papel relevante na condução de atividades relacionadas aos fatos investigados e na gestão de interesses patrimoniais vinculados ao grupo econômico sob apuração”.
Com base nesses argumentos, Mendonça concluiu que não houve qualquer alteração capaz de justificar a revogação da prisão e afirmou que as descobertas decorrentes do avanço das investigações reforçam a necessidade da medida cautelar, que continua sendo importante para evitar interferências na produção de provas, dissimulação patrimonial e prejuízos à persecução penal. A decisão, contudo, não detalha quais foram essas movimentações patrimoniais.
André Mendonça determinou na quinta-feira (24) a transferência de Vorcaro para a Papudinha, ala do Complexo Penitenciário da Papuda destinada a presos provisórios. A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal, apresentado após o fracasso das tentativas de acordo de colaboração premiada. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também defendeu a transferência.
Vorcaro estava preso na carceragem da PF desde março, em razão das negociações para um possível acordo de delação. Anteriormente, ele passou pelo sistema prisional de São Paulo e pela Penitenciária Federal de Brasília.
No período em que esteva na PF, recebeu autorização para manter contato frequente com seus advogados para preparar as propostas de colaboração.
A situação mudou nas últimas semanas. Primeiro, a Polícia Federal rejeitou a segunda proposta apresentada pela defesa do empresário. Em seguida, a Procuradoria-Geral da República (PGR) também concluiu que a colaboração não trazia fatos inéditos nem elementos de prova suficientes para justificar um acordo.
Sem perspectiva, neste momento, de retomada das negociações, investigadores defenderam que Vorcaro deixasse a estrutura da Polícia Federal e passasse a cumprir a prisão preventiva em uma unidade prisional comum. No pedido apresentado ao Supremo, a PF alegou também que não tem a estrutura adequada para manter presos por longos períodos de tempo.
O pedido foi acolhido por André Mendonça, que pediu à direção do presídio a adoção de medidas que garantam que Vorcaro não tenha como se comunicar com outros presos da operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master. (Com informações da CNN Brasil e O Globo)
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