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Rio Grande do Sul Polícia Federal investiga suposto direcionamento de licitações após enchentes no Vale do Taquari

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De acordo com a PF, a nova fase é um desdobramento da operação realizada em novembro de 2025.

Foto: PF/Divulgação
De acordo com a PF, a nova fase é um desdobramento da operação realizada em novembro de 2025. (Foto: PF/Divulgação)

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (26), a segunda fase da Operação Lamaçal, que investiga o possível desvio de recursos públicos federais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) repassados à Prefeitura de Lajeado, no Vale do Taquari, após as enchentes de maio de 2024.

Entre os alvos está o ex-prefeito de Lajeado Marcelo Caumo, que comandou o município entre 2017 e 2023 e também foi secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano no governo Eduardo Leite. A prisão é temporária, com prazo de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco, e foi decretada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para evitar que investigados combinem versões ou eliminem provas.

De acordo com a PF, a nova fase é um desdobramento da operação realizada em novembro de 2025. A análise do material apreendido na ocasião teria reforçado a hipótese de direcionamento de licitações. As investigações apontam irregularidades em três processos licitatórios da prefeitura envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, contratadas para prestar serviços de assistência social. Há indícios de que as contratações não observaram a proposta mais vantajosa e de que os valores pagos estavam acima dos preços de mercado.

Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária, além de medidas de sequestro de veículos e bloqueio de ativos. As diligências ocorreram em Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre. Também foi determinado o afastamento cautelar de dois servidores públicos.

As apurações indicam que a dispensa de licitação para contratação de empresa fornecedora de profissionais como psicólogos, assistentes sociais, educadores sociais, auxiliares administrativos e motoristas foi justificada pelo estado de calamidade pública decretado após as enchentes.

Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de que a contratação direta não teria observado critérios de economicidade. O valor total dos contratos sob investigação soma cerca de R$ 120 milhões.

Antes de assumir a prefeitura, Caumo atuou como advogado de uma das empresas investigadas. Em novembro, durante a primeira fase da operação, policiais encontraram R$ 411 mil em espécie em um cofre no escritório em que ele trabalhava. A origem do dinheiro é apurada.

Os investigados poderão responder por crimes como desvio de verbas públicas, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Em depoimento prestado à Polícia Federal em novembro, Caumo negou ter favorecido empresas em contratos públicos. Ele deixou o cargo de secretário estadual dois dias após a deflagração da primeira fase da operação.

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