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Política Polícia Federal reforça segurança para o primeiro dia de Vorcaro em cela na Superintendência, onde o banqueiro já tem regras menos rígidas

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Na Superintendência da PF, Vorcaro está sozinho na cela e conta com banheiro privativo.(Foto: Reprodução)

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, passou a sua primeira noite numa cela comum na carceragem da superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. O aposento não conta com televisão nem frigobar, mas tem um esquema bem menos rígido do que o da penitenciária federal de Brasília, onde ele estava até a noite de quinta-feira (19).

Vorcaro recebeu a visita do advogado Sergio Leonardo na manhã dessa sexta (20), que levou consigo uma mala de viagem. A visita durou cerca de duas horas. O prédio teve a segurança reforçada pela Polícia Federal e a Polícia Penal Federal. No início da tarde, agentes chegaram a circular pela área portando uma arma antidrone, que tem capacidade para derrubar o sinal dos aparelhos voadores. Nenhum incidente, no entanto, foi registrado.

No presídio federal de Brasília, onde ficou por 13 dias, Vorcaro precisou se submeter às mesmas regras impostas aos chefes de facções criminosas que costumam ser isolados no local. Como ainda estava no período considerado de “adaptação”, ele ficou numa cela que tem um pequeno quintal. Por isso, não saía para o banho de sol e nem tinha contato com os outros detentos.

Quando saía da cela era para ir ao parlatório conversar com familiares e advogados ou para ir à enfermaria. Para cada deslocamento, ele precisava passar por um procedimento rígido de revista, era algemado de costas e obrigado a manter a cabeça baixa para não encarar os policiais penais.

O sistema federal prioriza o contato mínimo entre os presos e os agentes penitenciários. Por isso, recebia cinco refeições por dia por meio da portinhola. Era na cela onde ele comia, dormia e tomava banho. Idealizadas para evitar fugas, as portas e janelas são reforçada com placas de metal, o que impede qualquer interação com o mundo exterior. A luz da cela e o chuveiro, que não tem água quente, eram acionados por policiais penais em horários pré-determinados pelo lado de fora.

Nos primeiros dias de prisão na unidade federal, os policiais penais federais deixaram a luz do corredor acesa sob o pretexto de conseguir observá-lo melhor por meio das câmeras de segurança. O objetivo seria evitar que ele tentasse se suicidar, como fez o empresário Luiz Phillipi Mourão, foi preso na mesma operação, em março.

Vorcaro dormiu com as luzes apagadas na noite de quinta. Agora, ele tem direito a duas horas de banho de sol, está sozinho na cela e conta com banheiro privativo. Diferente da unidade federal, o local é mais barulhento com o som da avenida na frente, do estande de treinamento de tiro atrás e dos servidores da PF que entram e saem do prédio administrativo.

O banqueiro, no entanto, não conta com as mesmos benefícios que dispunha o ex-presidente Jair Bolsonaro, que passou 54 anos dias na superintendência do DF. O aposento do ex-mandatário contava com televisão e geladeira e havia sido preparado para receber um ex-chefe de Estado.

Nos últimos meses, a superintendência da PF também chegou a abrigar o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o careca do INSS, considerado pivô no suposto esquema de descontos indevidos de aposentados; e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, implicado no mesmo inquérito. O local é feito para receber presos de passagem. Por isso, os carcereiros são os próprios agentes da PF que se revezam no plantão e contam por vezes com o apoio da Polícia Penal Federal.

Delação premiada

A transferência de Vorcaro para a superintendência da PF representa o marco para o início da delação premiada do banqueiro. Nos últimos dias, ele firmou um termo de confidenciabilidade com a PF e Procuradoria-Geral da República, após trocar de advogado.

A remoção foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master na Corte.

A defesa de Vorcaro havia pedido a prisão domiciliar, o que foi rejeitado por Mendonça.

Na quinta-feira, o dono do Banco Master foi levado de helicóptero da penitenciária federal à superintendência, algemado nas mãos e na cintura. Ele estava com chinelo e uniforme fornecido pelo sistema prisional.

Nessa sexta, a PF informou que não dá detalhes sobre a cela e rotina a qual Vorcaro está submetido “por motivos de segurança”. (Com informações do jornal O Globo)

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