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Política Políticos do Nordeste reafirmam a força da esquerda e miram protagonismo nacional na sucessão de Lula

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O Nordeste garantiu ao presidente 24,45 milhões de votos no segundo turno, contra 10,8 milhões de Flávio Bolsonaro.(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Eram 21h10 de 25 de outubro quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL). No quartel-general da campanha, em Brasília, Rafael Fonteles e Camilo Santana comemoraram o resultado nas redes sociais. Rui Costa, que estava na Bahia, também participou das celebrações, após passar o dia mobilizado em torno da votação.

Os três petistas, que reforçaram a campanha de Lula no segundo turno, buscam agora ampliar sua projeção nacional em meio às articulações para a composição do novo governo e à preparação do cenário político pós-Lula.

O Nordeste garantiu ao presidente 24,45 milhões de votos no segundo turno, contra 10,8 milhões de Flávio Bolsonaro. A mobilização nos nove Estados acrescentou aproximadamente 3 milhões de votos à votação de Lula na região em comparação com o primeiro turno. Apesar da vantagem expressiva, o resultado também revelou mudanças na representação política e nas prioridades dos eleitores.

Na disputa pelo Senado, foram eleitos nomes de direita, como Lahesio Bonfim (Novo-MA) e Arthur Lira (PP-AL). Na Câmara dos Deputados, parlamentares mais ideológicos ganharam espaço em relação a representantes tradicionalmente associados ao centrão.

Pela primeira vez desde 2006, os partidos de esquerda não serão maioria entre os governadores nordestinos. O PT conquistou os governos da Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, enquanto o PSB, que havia eleito dois governadores em 2022, não terá representantes no comando dos estados.

O PSD venceu em Pernambuco, Maranhão e Sergipe, o PSDB conquistou Alagoas e o PP ficou com a Paraíba. Entre os eleitos, Lucas Ribeiro (PP), da Paraíba, e Fábio Mitidieri (PSD), de Sergipe, apoiaram Lula. Já Raquel Lyra, Eduardo Braide e JHC adotaram uma estratégia de neutralidade na eleição presidencial.

A fragmentação política também aparece nas preocupações dos eleitores. Embora Lula mantenha sua força eleitoral, temas como segurança pública, inflação e preço dos alimentos passaram a dividir espaço com a identificação histórica de parte da população com o petismo.

A trajetória de Jairo dos Santos, caminhoneiro de 56 anos de Jaçanã (RN), ilustra esse cenário. Ele votou em Lula em 2002 e 2006, mas escolheu Jair Bolsonaro em 2018 e 2022, principalmente pelo discurso sobre segurança pública. Apesar disso, não pretendia apoiar Flávio Bolsonaro, por considerar o senador menos preparado que o pai.

Outra mudança é representada por Edielza Santos, de 43 anos, moradora da zona rural de Salgueiro (PE). Apesar de reconhecer a importância das políticas sociais e das obras dos governos petistas, ela decidiu apoiar Flávio Bolsonaro. Sua condição econômica melhorou após abrir um mercadinho na comunidade onde vive, e suas prioridades políticas passaram a incluir questões econômicas.

No primeiro turno, Flávio chegou a ficar dois pontos percentuais à frente de Lula e reduziu a vantagem petista em 98% dos municípios nordestinos, na comparação com o desempenho de Jair Bolsonaro em 2022. No segundo turno, entretanto, Lula ampliou sua vantagem em 1.771 dos 1.794 municípios da região.

O resultado reforçou o presidente como principal liderança eleitoral da esquerda nordestina, mas também colocou em evidência o desafio de renovar os quadros políticos para o período posterior ao seu último mandato. Além de Camilo Santana, Rafael Fonteles e Rui Costa, a governadora Fátima Bezerra (PT-RN) saiu fortalecida e é cotada para assumir um ministério.

Camilo Santana aparece como possível nome para a Casa Civil, enquanto Fonteles é mencionado para o Ministério da Fazenda, embora uma eventual indicação exigisse sua renúncia ao governo do Piauí. Rui Costa, por sua vez, deve permanecer no Senado, onde Lula precisará de apoio para enfrentar uma maioria de direita.

No campo do PSB, a derrota de João Campos em Pernambuco enfraqueceu o projeto de projeção nacional do partido. Em contrapartida, Marília Arraes (PDT) ganhou espaço ao conquistar uma cadeira no Senado, em dobradinha com Humberto Costa (PT). (Com informações da Folha de S.Paulo)

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