Segunda-feira, 16 de março de 2026

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Economia Por que a Bolsa brasileira não para de subir? Entenda o movimento de recordes sucessivos

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O principal índice da Bolsa brasileira (a B3) voltou a renovar a máxima histórica. (Foto: Divulgação/B3)

O principal índice da Bolsa brasileira (a B3) voltou a renovar a máxima histórica, superando pela primeira vez os 190 mil pontos durante o pregão dessa quarta-feira (11). Ao fim do dia, o Ibovespa desacelerou e encerrou em avanço de 2,03%, aos 189.699 pontos.

Ainda assim, o principal índice da Bolsa de São Paulo, a B3, acumula nada menos que uma valorização de 18% nos 42 primeiros dias deste ano. O dólar voltou a renovar mínimas na cotação dessa quarta-feira desde o fim de maio de 2024, encerrando a sessão em retração de 0,18% valendo R$ 5,1869.

O investidor estrangeiro segue dando a tônica dos recordes do índice, registrando ingresso acumulado de R$ 30,5 bilhões no mercado acionário brasileiro em 2026. O volume supera em 20% o capital injetado pela classe em todo ano de 2025.

A desconfiança com a institucionalidade do governo de Donald Trump e a redução da exposição aos ativos ligados à tecnologia nos Estados Unidos segue fomentando, na leitura de analistas, a busca de investidores globais por papéis que possam render mais em outras geografias. Entre os mercados emergentes, o Brasil tem se mostrado um dos destinos preferenciais.

Os bolsos internacionais procuram diminuir a aposta nas aplicações nos EUA e, ainda que pequena, passam a distribuir uma parte do seu capital em fundos que replicam índices acionários de países emergentes como o Brasil. Dessa forma, promovem os sucessivos recordes que temos acompanhado nos últimos meses no Ibovespa. O dessa quarta-feira é o 11º apenas em 2026.

Por conta da menor liquidez na comparação com o mercado americano – a fatia americana da indústria de fundos de investimento representa 70% do capital global, enquanto todos os países emergentes juntos ficam perto dos 6% –, a saída de aplicações dos Estados Unidos, ainda que pequena, promove uma enxurrada de capitalização nos índices acionários dos países emergentes.

“Definitivamente, quem patrocina a alta do mercado brasileiro é o estrangeiro. E remete aos ruídos da administração atual dos EUA, com a última sendo a questão da Groenlândia, que intensificou um pouco a rotação de recursos. Há ainda o questionamento da independência do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) e as tarifas comerciais”, avalia Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora.

A leitura é semelhante a de Ricardo França, analista da Ágora Investimentos, que vê os ataques ao banco central americano e a escolha de Trump pelo novo presidente, que deve iniciar seu mandato em maio, abrindo espaço para dúvidas sobre intervenção política na autoridade monetária: “A questão de politização do Fed traz instabilidade, e o investidor fica com uma percepção de risco maior, sendo mais um motivo para redução da exposição aos ativos americanos”, avalia.

As dúvidas sobre os retornos dos investimentos em inteligência artificial nos EUA também abrem espaço para a diversificação do investidor estrangeiro, avalia Alexandre Sant’Anna, analista sênior de renda variável da ARX:

“Há dúvidas de como os investimentos em IA vão comportar em retorno, de quanto já está embutido na Bolsa americana e quem serão os vencedores dessa corrida. É muito disruptivo. Uma empresa é principal, depois surge outra nova que vem e desbanca a principal. Depois dessa narrativa, o investidor buscou diversificar. E emergentes entram nesse escopo.”

O aproveitamento dessa redução dos ativos americanos pelo capital global não é uma história que favorece apenas o Brasil. Também acompanham o Ibovespa os índices de países da América Latina e de outros países emergentes, como África do Sul, Colômbia, Chile e Coreia do Sul. Com forte exposição à commodities, essenciais para a economia mundial, empresas ligadas a esses materiais de grande comercialização tem registrado forte valorização nas Bolsas. Por aqui, Petrobras e Vale já sobem 25% em seus papéis só em 2026.

“Temos visto nesses últimos dias o fluxo internacional entrando (em papéis brasileiros) através de ETFs (fundos listados em Bolsa), num movimento mais passivo, que compra os maiores ‘pesos’ do índice EWZ e do Ibovespa, representados por Petrobras, Vale e bancos”, avalia Peretti, do Santander, sobre o apetite estrangeiro.

As ações da Petrobras e da Vale alcançaram nessa quarta-feira os maiores valores da história. As ações ordinárias da petrolífera alcançaram os R$ 41,06, enquanto os papéis da mineradora terminaram o dia negociados aos R$ 90,09.

A temporada de resultados do 4º trimestre do ano passado também tem demonstrado como as empresas, apesar do patamar restritivo dos juros, tem entregado bons balanços. Hoje, Suzano e Tim lideraram a ponta positiva do Ibovespa por conta de resultados sólidos, diz França, da Ágora:

“Começou na semana passada com os bancos, mostrando números sólidos e dentro das expectativas. Os investidores ficam mais confiantes que a lucratividade das empresas siga favorável, além de administração fazer bom trabalho em alocação de capital”, ele diz.

A já anunciada redução na Taxa Selic, hoje em 15%, pela última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, também contribui com a valorização das companhias. Isso porque, além de diminuir os custos de dívidas, a redução dos juros abre espaço para diminuir o apetite em investimentos de renda fixa e fomenta a economia, o que tende a impactar positivamente nas vendas das empresas e nos seus resultados:

“O nível de juros altos é um peso para o custo financeiro, precisando pagar juros mais elevados para as dívidas. Com a redução da Selic, esse custo vai sendo reduzido e há um ganho no resultado financeiro”, diz França, da Ágora. “O ambiente de queda de juros também propicia um estímulo à atividade econômica, o que tende trazer mais combustível para o crédito, aumentando o faturamento das empresas.” As informações são do jornal O Globo.

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