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Mundo Por que a guarda pessoal de Maduro era composta por cubanos; 32 morreram, segundo Venezuela e Cuba

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A cooperação entre Venezuela e Cuba abriu espaço para a presença de assessores e agentes cubanos no chavismo.

Foto: Reprodução
A cooperação entre Venezuela e Cuba abriu espaço para a presença de assessores e agentes cubanos no chavismo. (Foto: Reprodução)

A escalada militar dos Estados Unidos contra o regime chavista, que culminou na captura de Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, no sábado, levou Caracas, nos últimos meses, a adotar uma série de medidas para reforçar a segurança pessoal do então chefe de Estado.

A mais emblemática delas foi a ampliação do papel de guarda-costas cubanos em sua equipe mais próxima, em meio ao temor de que pudesse ser traído pelos seus compatriotas. Além de ter designado mais oficiais de contra-espionagem de Havana para as forças armadas venezuelanas. Agora, de acordo com os governos da Venezuela e de Cuba, 32 militares cubanos foram mortos durante a operação americana.

Desde os primeiros anos do governo Hugo Chávez, a cooperação entre Venezuela e Cuba — inicialmente centrada em áreas como saúde e educação — abriu espaço para a presença gradual de assessores e agentes cubanos em estruturas estratégicas do chavismo.

Ao longo da última década, essa atuação se estendeu para os campos de inteligência, contrainteligência e segurança presidencial, em uma parceria sustentada por afinidade política e intercâmbio estratégico.

O arranjo ganhou ainda mais peso sob Maduro, que, em meio a crises internas e episódios de deserção nas Forças Armadas, passou a desconfiar da própria cúpula militar e ampliou o papel de cubanos em posições-chave de sua guarda e da segurança do Palácio de Miraflores.

Ao mesmo tempo, o líder venezuelano, que afirmava com frequência ser alvo de planos de assassinato, levou sua equipe a reforçar o primeiro anel de proteção: a Guarda de Honra Presidencial, composta por agentes selecionados em conjunto entre os serviços de segurança da Venezuela e os de assessores cubanos.

Esse núcleo sofreu mudanças na chefia após as eleições de 28 de julho de 2014, quando, diante da crise política e das denúncias de fraude, Maduro promoveu uma reformulação de sua estrutura de segurança e adotou protocolos mais rígidos de proteção.

A partir daí, as medidas ganharam caráter cada vez mais preventivo. Segundo fontes ouvidas pelo New York Times, em dezembro, o presidente passou a alternar com frequência os locais onde dormia e os aparelhos de celular que utilizava, numa tentativa de reduzir o risco de uma ação cirúrgica ou de uma incursão de forças especiais americanas.

Essas precauções teriam se intensificado a partir de setembro, quando os Estados Unidos reforçaram sua presença militar no Caribe e iniciaram ataques contra embarcações que, segundo a Casa Branca, estariam ligadas ao tráfico de drogas.

Agora, informações oficiais indicam que 32 desses cubanos teriam morrido quando as forças americanas invadiram o país no sábado. A Venezuela informou no domingo que o número preliminar total de mortos nos ataques era de 80, noticiou o New York Times.

Quase dois dias depois da operação militar dos EUA na Venezuela, foi de Havana que veio a primeira confirmação de vítimas. Em uma nota oficial, o governo cubano confirmou a morte de 32 militares do país que integravam o anel de segurança de Maduro no momento em que o presidente foi capturado.

“Como resultado do ataque criminoso perpetrado pelo governo dos Estados Unidos contra a irmã República Bolivariana da Venezuela, realizado na madrugada de 3 de janeiro de 2026, perderam a vida em ações combativas 32 cubanos, que cumpriam missões em representação das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior, a pedido de órgãos homólogos do país sul-americano”, afirma um comunicado do Ministério do Interior de Cuba, publicado nas redes sociais.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que as vítimas eram membros das Forças Armadas ou do Ministério do Interior que estavam em missão a pedido da Venezuela, segundo a mídia estatal cubana. Apesar de admitir publicamente, pela primeira vez, que seus agentes atuam no país aliado, Díaz-Canel não detalhou a função desempenhada pelas tropas ou sequer revelou a identidade dos mortos. Ele decretou dois dias de luto. (Com informações do jornal O Globo)

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