Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de setembro de 2026
A pesquisa em oncologia nunca esteve em um momento tão promissor, com a descoberta de tratamentos como a imunoterapia, que estão mudando o prognóstico para muitos tipos de câncer. Hoje, cerca de 75% dos tumores podem ser curados. No mês passado, houve ainda o anúncio de avanços com uma vacina experimental para melanoma. Mesmo assim, o número de mortes pela doença segue alto, alguns tipos de câncer ainda têm chances consideráveis de retornar mesmo após o tratamento e terapias oncológicas podem provocar efeitos colaterais ou deixar sequelas importantes.
Alguns fatores explicam por que, mesmo com todos os avanços científicos, o câncer ainda é uma doença difícil de tratar sem uma cura universal – um único tratamento capaz de matar qualquer tipo de célula maligna. Veja abaixo as razões que fazem da doença um dos maiores desafios da Medicina.
– 1. Diversidade: Quando falamos em câncer, não estamos falando de uma única doença, mas de um grupo enorme de patologias muito diferentes entre si. Um câncer de pulmão não se comporta igual ao de mama, por exemplo. Dois tumores de intestino podem ter características moleculares e genéticas diferentes. E até dentro de um mesmo tumor pode existir uma variedade de células.
Essa diversidade ajuda a explicar por que há cânceres com altas taxas de cura enquanto outros seguem sendo considerados incuráveis pela medicina atualmente. “Na essência, cada doença é diferente”, afirma Gustavo Fernandes, vice-presidente de Oncologia da Rede Américas. Isso ocorre, segundo ele, tanto pelas alterações adquiridas pelas células tumorais quanto pelas características genéticas do próprio paciente. “Um tumor que surge no meu corpo carrega o meu material genético e, por isso, ele tem particularidades minhas”, diz.
– 2. Inimigo interno: O câncer não é um invasor externo como uma bactéria ou um vírus. São células do próprio corpo que passaram a se comportar de forma anormal. Então, o tratamento precisa atacar células doentes tentando poupar células normais. É por isso que muitos tratamentos podem ter efeitos colaterais importantes. É também por isso que algumas intervenções que poderiam matar totalmente o câncer não podem ser adotadas – elas poderiam matar o paciente ou deixá-lo com sequelas graves, como no caso de tumores em órgãos vitais. “Há órgãos dos quais você pode viver sem uma parte. Mas há outros, como o cérebro, que são altamente especializados, ou seja, se você tirar uma parte, vai ter consequências importantes”, explica Fernandes.
– 3. Evolução: Outra dificuldade no combate ao câncer está relacionada à capacidade de evolução dos tumores. Eles não são blocos uniformes. Dentro de um mesmo tumor, podem existir populações diferentes de células. Algumas podem ser mais sensíveis ao tratamento e outras podem ser resistentes às terapias usadas ou responder por um tempo e desenvolver resistência com o passar dos meses ou anos. Outras capacidades podem ser adquiridas pelo tumor durante a sua evolução, como a formação de novos vasos sanguíneos para “abastecer” o câncer e a evasão do sistema imunológico, mecanismos que tornam possível a sobrevivência e o crescimento das células tumorais.
– 4. Diagnóstico tardio: Quando o tumor está localizado no órgão onde teve início, as chances de controle ou cura costumam ser maiores. Mas, quando ele se espalha para outros órgãos, o que chamamos de metástase, o tratamento fica mais complexo. A metástase continua sendo uma das principais causas de morte em tumor sólido. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!