Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 28 de outubro de 2015
As empresas de tecnologia estão conscientes do problema de gênero e, enfim, estão adotando medidas para resolvê-lo. Mas de onde sairão novos funcionários se as mulheres não escolhem carreiras em ciências da computação ou engenharia?
Tentar descobrir por que as pessoas não seguem certas carreiras é difícil. Fiquei fascinada, mas não surpresa, em saber que muitas jovens evitam esses cursos porque temem não se encaixar na carreira após conseguirem se formar.
Desde 2009, Sapna Cheryan, uma professora de psicologia da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, estuda por que é muito menos provável que as meninas escolham ciências da computação do que os meninos. Segundo ela, é quatro vezes menos provável que as alunas de cursos universitários se especializem nessa área ou em engenharia, mesmo tendo ótimas notas em matemática.
A pesquisa mostra que essas estudantes estão mais interessadas em um curso de computação quando a sala de aula não é decorada com cartazes de “Guerra nas Estrelas”, livros de ficção científica, peças de computador e revistas de tecnologia, mas com arte, natureza, plantas e revistas de interesse geral. Os estereótipos culturais referentes aos cientistas desta área também influenciam o interesse das jovens no campo. Em geral, seus estudantes são vistos como jovens que viveram isolados, cuja inteligência é resultado da genética e não de trabalho árduo.
Muitas garotas são educadas de forma a acreditar que as mulheres não são dotadas para a ciência e a matemática, por isso, não surpreende que tão poucas queiram se tornar cientistas bem-sucedidas nesta área. Os estereótipos podem parecer ultrapassados, mas estudos mostram que a imagem que o público tem de um cientista não mudou desde os anos 1950.
A porcentagem de mulheres que estudam ciência da computação vem caindo desde os anos 1980. A teoria de Sapna é de que o declínio pode ser atribuído em parte ao aumento das imagens de cientistas difundidas pela cultura pop, em filmes como “A Vingança dos Nerds” e séries como “The Big Bang Theory” como geeks. A enorme atenção que a mídia dedica à cultura das startups e a gênios como Steve Jobs e Bill Gates talvez tenha inspirado um número maior de homens do que de mulheres a ingressar no setor.
Eu me pergunto quantos homens escolheriam se especializar em ciência da computação se eles suspeitassem que precisariam ter aulas em salas rosas decoradas com cartazes de “Sex and the City”, com cópias da Vogue espalhadas pelo refeitório. Na verdade, a pesquisa de Sapna mostra que homens tendem a não escolher estudar Inglês, pelas mesmas razões que as mulheres não escolhem a computação. Eles comparam suas ideias de estereótipos dos formados em Inglês e decidem que não se enquadram.
Pensamento.
Para tornar a computação mais atraente às mulheres, poderíamos ajudar as jovens a mudar sua maneira de pensar a respeito de si mesmas e diversificar os cientistas em destaque. Como Sapna destaca, os estereótipos correspondem apenas em parte à realidade. As mulheres que estudam computação não têm os mesmos preconceitos das que baseiam sua maneira de pensar na cultura pop.
Os especialistas em computação e os engenheiros planejarão o futuro em que todos nós habitaremos. Precisamos que as mulheres sintam que se encaixam nestas profissões para que o futuro faça com que todos nos sintamos em casa ao usar as tecnologias.
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