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Política Por que Ciro Gomes recusou o convite do PSDB para disputar a Presidência

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Na visão de Ciro, é iminente um colapso fiscal alimentado pela confluência de uma dívida altíssima com vencimento curto.(Foto: Reprodução)

Pré-candidato do PSDB ao governo do Ceará, Ciro Gomes recusou, em maio, um convite da direção tucana para disputar a Presidência da República pelo que seria a quinta vez em sua carreira política. As outras foram em 1998, 2002, 2018 — sua
melhor votação nacional, quando teve 12,47% no primeiro turno — e 2022. Em entrevista ele contou os bastidores da decisão. “Disse ao Aécio Neves (presidente do partido) que, se o convite fosse talvez 150 dias atrás, encontraria aquilo que é um sonho meu”, relatou.

Quase trinta anos depois de sua primeira tentativa em uma corrida ao Palácio do Planalto, Ciro recordou o tempo que passou nos Estados Unidos quando deixou o Ministério da Fazenda (foram pouco mais de 100 dias à frente da pasta, na reta final do governo Itamar Franco) para estudar “profundamente” e se preparar para a Presidência da República. “Não tenho fortuna. Me preservei republicano”, declarou, acrescentando que abriu mão de aposentadorias especiais a que teria direito como ex-prefeito, ex-deputado e ex-governador.

Mas, como ele mesmo diz, “o buraco é mais embaixo ainda”. E afirma: “Até a eleição passada, de 2022, eu tinha segurança de que eu dava jeito no problema do país. Agora, estou seguro que está sem jeito.” Com peso na voz, o novo-velho tucano discorreu sobre uma dívida pública federal “galopando a 1 trilhão por ano”, com as contas no limite “máximo” de arrecadação e a carga tributária fora “de qualquer razoabilidade”, e “no mínimo de investimento”.

A culpa, para ele, é tanto do governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) como da atual administração do presidente Lula. “Tirando a estética, eles são rigorosamente a mesma coisa. Eles são iguais. Câmbio flutuante, superávit primário, meta de inflação, autonomia selvagem do Banco Central, política de paridade de preços internacionais da Petrobras, reforma da Previdência, privatização fraudulenta”, disse.

Na visão de Ciro, é iminente um colapso fiscal alimentado pela confluência de uma dívida altíssima com vencimento curto, crescimento pífio do PIB, inflação prestes a disparar e, ainda por cima, mais de 80 milhões de pessoas endividadas.

“O Estado está quebrando e nós estamos discutindo aqui o sexo dos anjos”, lamentou. “Vai ser, como um país, uma destruição permanente. Nós vamos ter em cima dos destroços uma nova ordem”, profetizou o pré-candidato ao Palácio da Abolição. Com informações da Revista Veja.

 

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