Sexta-feira, 03 de Julho de 2020

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Notícias Por que é errado comparar o Brasil aos Estados Unidos na questão das armas?

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Os Estados Unidos são o maior exportador mundial. A Índia é a principal importadora. (Foto: Reprodução)

Existe um equívoco entre alguns brasileiros ao compararem os Estados Unidos ao Brasil na questão do acesso às armas. O argumento dos defensores das armas no Brasil segue a seguinte linha:

– O Brasil tem mais homicídios per capita e em números absolutos do que os EUA;

– O Brasil restringe o acesso ao porte de armas;

– Os EUA garantem, por meio da Segunda Emenda da Constituição, o acesso às armas;

– Logo o Brasil estaria errado em restringir o acesso às armas;

– E os EUA estariam certos em garantir este mesmo acesso.

Na verdade, os EUA não devem ser comparados ao Brasil. Trata-se da comparação de uma nação desenvolvida com outra em desenvolvimento. Os contextos são distintos. Nem mesmo a NRA, como é chamado o lobby das armas nos EUA, usa o exemplo do Brasil para os americanos porque sabe ser absurda a comparação. As informações são do Blog de Guga Chacra, do jornal O Estado de S.Paulo.

Os EUA devem ser comparados a nações desenvolvidas, como o Reino Unido, Japão, Alemanha, Israel, Holanda, Austrália, Nova Zelândia e Canadá. De todas, os EUA são disparados os que mais facilitam o acesso dos cidadãos às armas. O Japão e o Reino Unido, os que mais restringem. E a quantidade de massacres nestas duas nações é uma fração da dos EUA.

Portanto usar os EUA como argumento para defender o acesso a armas no Brasil não é correto. O problema no Brasil está na quantidade de armas nas mãos de bandidos. Nos EUA, pelo menos no caso de massacres como o de Las Vegas e agora na Flórida, claramente há um problema de fácil acesso a armas, incluindo fuzis como o AR-15.

Importante frisar que a relação do acesso a armas e o crime é mais complexa. Nova York e Chicago impõem restrições a armamentos. E Nova York é extremamente segura – 2017 foi o ano mais seguro da cidade em décadas. Já Chicago enfrenta um crescimento da criminalidade e do número de assassinatos.

Obviamente, a resposta está em políticas públicas bem sucedidas em Nova York ao longo de três administrações – do republicano Giuliani, do independente Bloomberg e do democrata De Blasio. Houve mudanças, claro. De Blasio acabou com o Stop and Frisk, uma ação da administração Bloomberg na qual jovens, em sua maioria negros e hispânicos de regiões mais pobres, eram revistados pela polícia. O fim desta política não resultou no aumento dos crimes. Na verdade, diminui ainda mais. Já em Chicago, especialmente na parte sul da cidade, houve uma sucessão de fracassos.

Armar a população no Brasil não resolverá o problema da criminalidade. É preciso investir em políticas públicas de segurança. No caso dos EUA, não haverá desarmamento. Ninguém sequer fala disso. Discute-se sim restrições a compra, como checagem de antecedentes criminais em todas as circunstâncias. Para que alguém quer um fuzil AR-15? No máximo, a proibição de armas de ataque automáticas e semiautomáticas. Falei e repito – eu não compraria uma arma, mas entendo quem queira comprar uma pistola para se defender em regiões menos habitadas.

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